Indian Embroidery


Quem me conhece, sabe que sempre fui uma apaixonada pela Índia.
Seja porque tive uma antepassada goesa (da Índia “portuguesa”) seja por justificações mais esotéricas, a verdade é que o país, as suas gentes, a sua cultura, a sua religião, sempre me fascinaram desde muito pequena.
Adorava ler os contos religiosos indianos, como a história de Shiva, ou do Ganesha, ou do flautista Krishna, que preenchiam em mim uma certa sensação de “vazio religioso”, fruto de uma educação totalmente agnóstica.
Mais tarde, fiz por estudar a fundo tudo o que era relacionado com a Índia, e à medida que ía conhecendo melhor o país e os seus costumes, mas apaixonada fui ficando.
Já na faculdade tive a sorte de ter uma professora que tinha feito trabalho de campo na Índia, e que se tinha dedicado aos temas de identidade dos indianos residentes em Portugal, bem como da sua presença também em Moçambique.

Confesso que o discurso Antropológico em relação à Índia não é inteiramente do meu agrado, que prefiro ver e sentir como se fosse um deles (indianos), apesar de obviamente não o ser…
O que me leva a escrever hoje sobre a Índia, é mais uma das suas magníficas expressões culturais: os bordados indianos.

Esta exposição do “Textile Museum of Canada” (que adorava poder visitar) é um belíssimo exmplo da riqueza da cultura e arte popular indianas.
Os bordados são de uma profusão de cores inimagináveis, e contam na grande maioria das vezes histórias de índole filosófica e religiosa, bem como a vida dos principais deuses hindus.
Assim como os saris têm cores diferentes conforme da zona de onde são provenientes, também há diversos tipos de bordados e padrões utilizados, conforme a proveniência local.
Os toran (cortinas de porta) também são algo bastante comum em qualquer casa indiana, rica ou pobre, e têm muitas vezes figuras e símbolos religiosos para protecção.
Cá em casa, temos este belíssimo exemplar antigo, totalmente bordado à mão, muito idêntico a este da exposição do museu.
As meus bordados preferidos são os dos Gujarat e Rajastão, pela sua exuberância de cores e padrões florais e geométricos.
Da minha colecção, deixo-vos aqui alguns belos exemplares, conseguidos através dos amigos que viajam até essas paragens com frequência. Alguns deles são muito parecidos com algumas das peças da tal exposição do Textile Museum of Canada.

Um dia, serei eu a ir até lá : )

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6 thoughts on “Indian Embroidery

  1. Quando vivia em Macau fui à Índia.
    Dado que era ainda miúda (9 anos) pouco aproveitei da viagem… mas uma imagem com que fiquei foi a do aeroporto das vacas e dos trabalhadores que limpavam o avião antes de entrarmos.
    As fardas deles eram muito coloridas e eles usavam uns sapatos que pareciam não ser deles. Mais tarde ao comentar isto com o meu pai ele disse-me que ao tentarem “ocidentalizá-los” tinham-nos obrigado a calçar sapatos. Como estes eram caros eles partilhavam-nos uns com os outros e, por isso, uns usavam-nos grandes e outros pequenos…

    Os meus pais foram lá muitas vezes, a diferentes zonas do país e a pobreza foi sempre o que marcou muito estas viagens.

    Infelizmente, tantos anos passados, e o marco da pobreza mantém-se… É pena, tanta riqueza cultural e tanta riqueza mal distribuída…

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  2. Terás concerteza muito para contar! : )

    As diferenças culturais, entre as quais a “sujidade” e o fosso entre ricos e pobres, acho que fazem parte do encanto do país – ou se adora ou não se suporta.

    A experiência mais próxima a esse tipo de “sujidade” que tive foram várias viagens a Marrocos. Acho que tem servido como “estágio”, mas também acho que isso para mim não será problema ; )

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  3. estive na índia durante 20 dias no ano passado. fui a um casamento hindu de um amigo indiano que voltou para lá pois tinha à sua espera casamento arranjado. viajamos sempre de comboio para o qual é preciso estar preparado pois é um povo tão hospitaleiro, pacífico e com coisas fantásticas quanto sujo. o casamento foi aliás numa cidade do interior, e por isso sem turismo, onde me pareceu ter regressado à idade média! hei-de falar mais sobre isso…

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