a nossa televisão


A semana passada a Alix escreveu um post sobre televisão (ou melhor, sobre não ter televisão) com o qual concordo em absoluto, e me revejo em diversos pontos.
Tento não ser fundamentalista (que é uma palavra que ouço várias vezes de forma despropositada), não só pela sanidade mental e social dos meus filhos, mas também porque acho que o fruto proibido é o mais apetecido, e que a verdadeira educação de hábitos vem da observação dos que nos rodeiam.
Posto isto, qual é a minha/nossa relação com a televisão?
Uma relação saudável, penso eu. Não temos televisão por cabo por grande insistência minha.
Os mais pequenos vêm a Ilha das Cores e o Zig Zag de manhã enquanto se arranjam e ao fim do dia enquanto faço o jantar.
Os mais velhos, com os seus hormonais 11 anos, vêm aquela coisa pavorosa chamada “morangos com açucar” sem grande estrago de maior.
Eu e o Soeiro pouca televisão vemos no nosso tempo livre, mas neste momento os musts são o jornal da 2: (a uma hora própria para quem tem crianças pequenas e precisa de tratar delas antes de se sentar confortavelmente a ver o que se passa no mundo), e os Sopranos às segundas feiras. (muitas vezes me perguntam como é consigo fazer tanta coisa com quatro filhos, e a resposta é sempre a mesma: não vejo televisão!)
Aos sábados à noite, somos assíduos da sessão dupla da 2:, e aos domingos é quando vemos televisão de empreitada: o câmara clara, o onda-curta e a britcom, ainda intercalados com o Conta-me como foi na RTP1.
Tudo o resto é paisagem, nem sequer estamos a par das ultimas tendências e estreias televisivas… Não me agrada nada a imposição e estupidificação da programação televisiva, nem o acto de uma pessoa se sentar passiva e impavidamente a ver o que lhe mostram.
Tento incutir nas crianças que a televisão não é nenhum monstro, mas também não é uma fonte inesgotável de prazer e abstracção. Todos nós temos os nossos momentos necessários de estupidificação e olhar para o vazio, mas acho que devemos ser críticos naquilo que vemos, e se o que vemos na programação televisiva não agrada, então mais vale não ver.
Instigo-os a verem filmes, a escolherem os filmes, a falarem sobre os filmes.
Nada me dá mais prazer do que os serões de fim de semana em que os mais velhos vão escolher filmes improváveis para a sua idade da nossa colecção de DVD´s e os vêm todos contentes e excitados, como se estivessem a ver tesouros (que estão). Nem imaginam o bem que lhes fará à alma e ao espírito crescerem com imagens de cinema na cabeça e no coração.
Com os pequenos, tento que os desenhos animados sejam acima de tudo bonitos e com alguma história. Também têm DVD´s Noddy (não são nenhuns bichos-raros) mas a verdade é que já não têm paciência para histórias sensaboronas e entediantes, e preferem outras, como o Belle Ville Rendez-vous, O Pedro e o Lobo, o Tin Tin, Charlie e Lola, a Pippi das Meias Altas ou a Adriana Partimpim.
E como filho de peixe sabe nadar, adoram desenhos animados indianos :)
Este que a aqui vos deixo é a mais recente aquisição cá de casa.
(Obrigado Sofia, pela partilha!)

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11 thoughts on “a nossa televisão

  1. Concordo plenamente. Tenho um filho com 6 anos e uma filha com 3 anos. Também tento que eles vejam mais a 2, mas com o Canal Panda por perto às vezes é difícil. Se bem que não é tudo negativo no Panda, pois há umas partes de educação para a comida, em que eles com desenhos e a brincar falam das vantagens de comer vegetais, fruta e das desvantagens de comer doces e muitas goluseimas. O pior é mesmo alguma animação muito agressiva. Também gosto do Conta-me Como Foi e do Câmara Clara, mas a minha série 2 é de momento O Amor no Alaska à Sexta. É engraçado como através dos blogs se encontra tanta gente com os mesmos gostos, forma de educar ou ideologias, não é?

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  2. Ultimamente tenho lido seu blog e quero parabenizá-la por seus trabalhos e também pelos assuntos que discute.
    Este é muito interessante. Apesar de ainda não ter filhos e por isso minha experiência é outra, concordo plenamente com você.
    Fiquei sem TV por um ano e meio, mas nenhum tipo, nem aberta nem fechada. Este foi o período que mais li e fiquei informada, além de ser extremamente prazeroso poder ler e discutir os assuntos sem ter que ficar prestando atenção no próximo programa.
    Hoje tenho as duas opções de TV, mas ao ler este tópico fiquei muito saudosa dos momentos que vivi sem ela.

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  3. O «Conta-me como Foi» é uma delícia não é?! Tento ver sempre, merece a pena por tudo, os cenários e os objectos parecem que foram retirados mesmo das nossas antigas casas. Mas tenho a ideia que é uma série que passa despercebida.
    Cá em casa é também o Zig Zag e a Ilha das cores, mas só há pouco tempo, antes disso não deixávamos ver quase nada, apenas «os patinhos» para fazer entender que todos os meninos dormiam logo a seguir, mas ajuda realmente qdo só está uma pessoa sozinha em casa a fazer o jantar e já não consegue distraír a criança ao mesmo tempo! Pomos mais música qdo chegamos a casa e dançamos para distrair da vontade de querer ver televisão. As crianças ficam mesmo viciadas e facilmente já ligam a televisão sozinhas ainda com dois anos.

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  4. O teu ecrã é lindo, sem perturbação…:D
    É mesmo como dizes. E programação animada e diferente dia-a-dia já fazem eles. Eu vejo ainda menos televisão que tu, com alguma pena minha, porque ainda há programas interessantes, mas acho que ficava feliz se a dita avariasse de vez cá em casa. Tenho tv por cabo para poder excolher melhor os programas que os meninos vêm, mas admito que bastavam bem o dvd. O problema é eles se decidirem por um, em acordo….

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  5. Um hábito engraçado: a minha sobrinha gosta de ver o dvd da Marisa Monte e dos Gift antes de ir dormir :)
    A minha série é definitivamente Os Sopranos!

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  6. Engraçado, ainda esta semana estive a falar com uns amigos sobre isto. Estes amigos estão minha casa há uns dias e perguntaram admirados: as tuas filhas não pedem para ver televisão??. Ao que eu respondi: às vezes!!

    Na verdade, elas quase não vêem televisão e nós, eu e o pai também não, tirando uma coisa ou outra na 2! Há um ano estivemos, por questões técnicas, sem TV durante três meses. Não sentimos a falta. Voltamos a ter porque os avós sentem a falta quando nos visitam :)

    Não faço nada de especial para que seja assim. O final do dia é passado com elas, a brincar, cozinhar, etc. No fim de semana, gostam de se sentar a ver um bocadinho. Agora na altura do Natal, com a publicidade massiva, tento falar com elas sobre isso. Incomoda-me a injecção de anúncios para as crianças. Explico-lhes que o consumismo exagerado não é uma atitude sustentável no presente e para o futuro. E elas percebem!

    É importante o espírito critico nesta coisa dos media. Eu esforço-me por isso.

    Obrigada, Rita, pela tua contribuição para esta partilha de ideias sobre coisas que realmente importam. Beijinho

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  7. Ola. é bom ouvir como outros também ve (I don’t have a chapeu, or til!) a questao. Oh dear must write in English. Like you mention it is the quality of what you watch and how you watch television that makes it an enriching or dulling process. Watching programmes communally, talking about what you’e seen, the ideas entailed, how it made you feel, are all important. Occassionally when there’s been a programme I’ve really wanted to see I’ve gone round to a friend’s house and then it feels like something special, we sit down together to watch then switch it off and chat. I think switching the TV off, knowing when to, is the real problem for a lot of people. It is always on, with meals, with homework and that is what really disturbs me. That and the intrusion of adverts. Once I had some distance from a TV adverts I felt more acutely that someone is trying to dictate my life with them, tell me who and how to be. But then again publicity is a machine present in many aspects of our life and it’s good to learn how to read between the lines and to be discerning. I think the best option is a DVD player. Unfortunately for me this will probably have to wait til I can upgrade my computer! Thanks for sharing how you and your family live with TV *

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  8. Dado o local onde vivemos, cá em casa a única forma de termos acesso aos 4 canais portugueses é tendo a TV Cabo instalada.
    Por isso, quando nos mudámos instalámos a TV Cabo.
    Entretanto, há cerca de 2 anos constatámos que passávamos semanas sem ver televisão.
    Assim, decidimos poupar mais de € 20,00 por mês. Também decidimos que logo que nos apetecesse, voltávamos a fazer contrato com a TV Cabo.
    Já lá vão 2 anos e ainda não sentimos essa necessidade.
    Quanto à Matilde, vê a sua dose de desenhos animados em DVD.
    Sem fundamentalismos, quando sentirmos saudades de ver televisão ou na altura em que a Matilde, por causa do contacto com os colegas, comece a reclamar por não vermos nenhuma televisão, então nessa altura provavelmente voltaremos a ter disso cá em casa.

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  9. Concordo em pleno contigo sobre a tv… nem demais nem de menos.. qb e de preferência com selecção.
    E estes desenhos são uma delicia :)
    Em que canal dão estes desenhos animados?

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