direitos e liberdades

Uma semana depois de ter publicado este post, apece-me voltar ao tema. Não só para clarificar algumas coisas, como para o completar, de certa forma. Ainda para mais depois ter sido “ilustrado” pela Rosa com esta fotografia arrebatadora

Em primeiro lugar: não moderei os comentários nem fiz qualquer tipo triagem.
Recebi alguns emails em privado, de pessoas que não concordavam com o post, que se sentiam ofendidas, e que insinuavam que eu teria apagado comentários desfavoráveis, dado que eram quase nulos ou inexistentes no meio dos comentários que subscrevem a minha posição.

Em segundo lugar: a história que conto ao princípio é verdadeira, e aconteceu mesmo! Quase que aposto que um dos emails injuriosos que recebi em privado é da mãe das meninas referidas no post… Convido-a a comentar publicamente no blog!

Em terceiro lugar: perguntaram-me também, em privado, se o meu post vinha a propósito deste outro, do blog “Cócó na Fralda”.
É verdade. Sou leitora semi-regular do “Cócó na Fralda” desde o programa “A Viagem da Cegonha”, precisamente pelo tema.
Quanto ao programa, foi para mim uma desilusão, já que esperava um formato mais útil e informativo e levei com uma espécie de BigBrother de nove meses de gestação.
Mas isso agora não interessa nada, e o facto de eu, pessoalmente, ter ficado desiludida com o programa não me impede de reconhecer o bom trabalho feito pelos profissionais de comunicação envolvidos, num formato até então inédito em Portugal, e que sempre tentaram manter o nível, diga-se a verdade.
Voltando ao “Cocó na Fralda”, é verdade que o post acerca de assistir ou não a uma cesariana me deixou com a pulga atrás da orelha, mas o que me fez escrever acerca das cesariana não foi esse post em concreto, mas sim as dezenas de comentários a incentivar o comum mortal a uma cesariana electiva, e a maneira (desculpem-me o termo) – ignorante – como se falava do assunto.

Para mim, tanto se me dá que numa maternidade/hospital privado o facto de se ser famoso e aparecer nas revistas cor-de-rosa dá direito de entrada num bloco operatório para assistir a uma cesariana.
Aliás, acho que isso é uma grande falta de respeito para todas as mulheres que vão parir diariamente nas maternidades públicas portuguesas e onde ainda é barrada a entrada do marido, para assistir ao nascimento do seu filho de parto normal.
Choca-me é as mulheres que decidem, pelos mais variados factores, ter uma doula consigo durante o parto e a entrada desta é barrada, pelo facto de “não ser de família”.
Estou-me borrifando para as karens jardel e outras que tais que escolhem ir para o hospital privado bonitinho e arranjadinho. Se não gostam do regulamento desse, escolham outro, de certeza que nesses sítios a cor do dinheiro fala sempre mais alto…
A mim preocupa-me é as mulheres reais do país real, utentes do Serviço Nacional de Saúde, plenas de direitos por respeitar, no que à assistência ao parto diz respeito.
A mim preocupa-me o número alarmante das cesarianas a pedido, e a ideia generalizada de que é muito melhor do que um parto natural… Porque – repito – não é! Pode ser preferível para muitas mulheres, é certo. Mas não é melhor, falando em termos de saúde!

Toda a gente sabe que quando se fala de “causas” fala-se sempre com o coração, e poucas vezes na posse da razão.
É isso que é “uma causa”: um motivo arrebatador que leva o comum mortal a defender até às últimas consequências (verbais, é claro) aquilo em que acredita.
Eu própria neste blog, ao falar deste tema, tento sempre falar mais com a razão do que com o coração, precisamente porque sei que me posso levar facilmente pelo calor das emoções causadas por um assunto que é a minha causa – a humanização do parto e os direitos das mulheres.

E foi isso que quis fazer. Respirei fundo e esperei dois dias que passasse a vontade de dizer alguma coisa. Como não passou, escrevi. Mas escrevi com ponderação e baseada em evidências médicas internacionais. Não escrevi baseada na minha experiência empírica e pessoal.
E sei perfeitamente que ao escrever o que escrevi, da forma como escrevi, poderei ter “desiludido” alguns leitores deste blog, algumas pessoas que não me conhecendo, fariam de mim uma outra ideia.
Mas não me importo. Prefiro falar e dizer o que penso neste espaço que é meu. Prefiro contribuir construtivamente para aquilo que penso ser melhor para todos, falando em termos colectivos e de sociedade.
E a verdade é esta: o meu interesse este tema é puramente desinteressado, passando o pleonasmo. Como já disse várias vezes: tenho 4 filhos, não está nos meus planos ter mais nenhum e tive os partos que quis e como quis.
Foi precisamente por me ter sentido uma privilegiada que decidi, há bastante tempo atrás, ser activista neste tema. Porque acho que todas as mulheres têm direito a ser tratadas nas maternidades públicas da forma correcta e respeitadora como eu fui, e verem respeitados os seus direitos enquanto mulheres e parturientes, tal como se passou comigo.

E agora voltamos ao início: a questão da educação.
Não se pode esperar que as mulheres sejam livres de escolher, se não sabem o que estão a escolher, se não estão devidamente informadas.
Como canta o Sérgio Godinho: “Só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir.” E so se decide estando na posse de informação.

Faz amanhã 35 anos que Portugal ganhou esse direito: o direito à Liberdade e ao exercício da cidadania.
Se não fossem os militares que partiram desta terra onde me encontro, rumo a Lisboa, arriscando as suas carreiras e as suas vidas, hoje não poderíamos usar estes blogues para discutir opiniões divergentes.
Congratulo-me por viver num país finalmente livre, onde tenho a liberdade de discordar e ser discordada.

Homenageio publicamente todos os cidadãos e cidadãs anónimas que contribuíram para a construção da Liberdade de que todos nós hoje usufruímos.
E como este post é essencialmente acerca das mulheres, convido-vos a ler no Correio do Ribatejo uma reportagem belíssima e muito bem escrita pela jornalista Sofia Meneses, acerca das mulheres dos Capitães de Abril – um testemunho no feminino dos tempos de resistência e preparação da Revolução.
(basta clicar na notícia para aceder ao pdf da mesma)

Viva o 25 de Abril!

:)

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25 thoughts on “direitos e liberdades

  1. olá Rita
    adoro passar por aqui, cada vez que aqui venho fico presa na leitura dos posts :))
    como em tudo na vida há sempre dois lados da moeda, eu tenho dois filhos, ambos nasceram de cesariana e em maternidade publica. Não porque tivesse pedido mas porque não fazia dilatação:(. Em todo caso devo dizer que não foi facil, também sofri por isso pois a vontade de que fosse natural por parte do pessoal médico levou a que do meu filho mais velho fossem tentadas todas e mais algumas tecnicas para induzir o parto, sem qualquer resultado e no fim, quando teve de ser cesariana nem tive direito a estar acordada! :(
    por vezes a decisão médica da cesariana é tomada demasiado tarde.
    em termos de serviço das maternidades ao comum cidadão também tenho que dizer que tenho as duas experiências, as boas – o nascimento dos meus dois filhos, apesar de tudo fui muito bem tratada na maternidade onde nasceram e uma outra má, numa outra maternidade da minha cidade onde tive de ter um primeiro filho que perdi quando estava grávida de 36 semanas, o que fez com que mudasse de medico obstetra e de maternidade. Infelizmente tive de passar pela experiência de ter um 1º parto natural de um bébé já morto sem qualquer tipo de assistência quer médica quer de enfermagem pois deixaram-me ao Deus dará só com a presença da minha mãe, felizmente senão tinha tido o bébé completamente sozinha.

    como em tudo na vida cada um tem a sua experiência, não posso ser fundamentalista e dizer que uma maternidade não presta só porque comigo as coisas correm muito mal e não foi só o que descrevi que me aconteceu outros factos houve que vale a pena a qui expôr :(, provavelmente muitas crianças nasceram felizes e bem de saude naquela maternidade, provavelmente muita gente foi bem tratada lá, provavelmente não com toda a certeza!! provavelmente haverá queixas da maternidade onde nasceram os meus dois filhos e da qual não tenho razão de queixa :)
    é assim esta nossa vida
    acho que me alonguei demais, um beijo

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  2. Para mim a liberdade de escolher como se vai ter um filho é muito relativa.
    Para mim a liberdade está na decisão de engravidar. Quem escolhe ficar grávida sabe à partida como será o desfecho da gravidez. Um bébé no útero tem sempre que nascer, e naturalmente nasce pela vagina, não há volta a dar nessa questão. Um parto vaginal, não é um acto médico, embora possa um médico estar presente no momento, é algo que pode perfeitamente acontecer sem ele.
    A cesariana por outro lado é uma cirurgia, uma cirurgia é um acto médico, que requer sempre a sua presença, logo a decisão de fazer uma cirurgia deve ser sempre feita por um médico e não pela mulher grávida que não quer ter um parto vaginal, só por que sim.
    Claro que o médico deve informar a mulher a razão pela qual opta pelo método cirurgico, pois o corpo é dela.
    Em comparação o meu braço também é meu e se eu decidir que quero removê-lo cirurgicamente, por que não me faz falta nenhuma, também deveria ter direito a essa escolha ou não? Será que algum médico no seu perfeito juízo faria essa cirurgia, mesmo que eu fosse famosa e estivesse disposta a pagar?

    Carla Marques

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    1. Sim, Carla. Nem precisa pagar, nem ser famosa. E infelizmente a saude cada vez se rege mais por parâmetros de gestão do que de cuidados humanos. Mas isso é tema para outro post.

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  3. Rita,
    Já sigo o teu blog a algum tempo e com mais atenção ainda depois de ter conhecido “ao vivo” no congresso.
    Não tenho o hábito de comentar mas hoje tenho de te dar os parabéns! Muito bem escrito, linda. Tens o dom da palavra e usas o tão bem.
    Um beijo grande.
    Lieve

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  4. Infelizmente, a estupidez humana é uma questão incrível. Uma amiga,instruída, com um curso superior e fantástica pensadora, cunhada de enfermeiras de uma maternidade pública conseguiu ter dois filhos com cesaria e anestesia geral, porque lhe fazia impressão a ideia do que se iria passar… A minha cunhada, instruída, com um curso superior na área da medicina, fantástica fazedora de dinheiro e muito viajada. Após desistir de anos de tratamentos de fertilidade, engravidou acidentalmente, não tirou uma única foto grávida, pois achava-se medonha e desde as 36 semanas de gravidez, ia semanalmente ao hospital para lhe “tirarem a criança” pois já estava formada e não estava a fazer nada na barriga. Não estou a exagerar em nada e nem vou relatar as peripécias do aleitamento, para não a chocar mais.

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  5. Rita, devo confessar que fiquei um pouco abismada pela história que contaste. Como se não bastasse terem “vendido” tal história às crianças, a senhora ainda se sentiu defraudada quando lhes expuseste a verdade…… concordo que se deve respeitar a educação que cada casal decida dar aos seus filhos mas dentro de certos… limites….
    Ainda não tenho filhos mas há muito tempo que me interesso pelo tema e só aqui encontrei “apoio” em teorias que conhecia há quase uma década, de partos mais naturais, em água, etc, a que ninguém dava crédito quando falava nisso.

    Obrigada pelo teu trabalho e divulgação num tema que diz respeito a tod@s.

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  6. Olá Rita!
    Leio assiduamente o teu blogue e concordo com todas as tuas opiniões sobre a humanização do parto e o direito da mãe de poder ter um plano de parto que possa seguir da maneira com entender.
    No meu caso tudo correu às mil maravilhas num hospital público, um parto normal sem recurso à epidural,no entanto devo salientar que tudo correu bem porque eu estava sensibilizada para o assunto,e sabia exactamente o que estava a acontecer com o meu corpo, e tive que ser eu a explicar que não queria um anestesista, queria andar pela sala de parto e não queria o ctg sempre ligado a mim, imagina para espanto dos médicos e enfermeiras.
    De qualquer forma todo este tema da humanização tem que ser mais alargado não só ao parto mas a todo o serviço de cuidados médicos, a este respeito veio uma entrevista na revista sábado desta semana com um médico dr. Filipe Almeida que dirige o novo serviço de humanização do hospital São João, no Porto. Este médico defende que o pacientes devem ser tratados pelo nome e não pelo nº da cama, possam usar os seus pijamas, possam os familiares visitaem os doentes em estado terminal a qualquer hora do dia e da noite, enfim uma série de medidas que a ser implementadas melhoram o bem estar dos doentes e não tenho dúvidas que contribuem para sua recuperação.

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  7. olá rita.
    eu devo ser mesmo muito distraída – pensava que todas as mulheres quisessem ter um parto normal, de preferência sem epidural. mas, pelos vistos, não. cada um sabe de si e a única coisa que posso lamentar é que as pessoas que escolhem ter uma cesariana marcada não vivam o momento maravilhoso que é ter um filho a nascer naturalmente.
    o que acho intolerável é que ensinem às crianças que os bebés nascem quando os médicos põem as mães a dormir (!!!) e lhes abrem a barriga!
    não te cales nunca.

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  8. Rita,
    Admiro-te por defenderes de forma informada aquilo em que acreditas.
    A Maria nasceu num hospital público de parto normal. Optei por prescindir da epidural ( e ainda fui olhada de lado por isso). O pai esteve sempre presente (excepto quando me tiveram de rebentar as águas). Era ele que antecipava o que eu precisava, era ele que falava com as enfermeiras e auxiliares e foi ele que, literalmente, empurrou a miúda cá para fora quando a força já me escapava. Ele assistiu ao parto no sentido de ajudar e não, simplesmente, de ver. A sua presença foi imprescindível para que a Maria tivesse nascido de parto normal e para que eu tivesse o parto que desejava (e sem a necessidade de qualquer médico presente).
    Como, aliás, foi crucial a preparação para o parto (para o parto, repito, não para a maternidade) que frequentámos.
    Defendo que saber o que se está a passar como o nosso corpo durante a gravidez e o parto é determinante para compreendermos os benefícios de um parto normal – a começar pela recuperação. E os pais saberem o que se passa com o corpo da mulher durante a gravidez e o parto é o que pemite-lhes, de facto, ajudar no parto. Não critico de forma alguma quem faz cesarianas por necessidade, mas, sinceramente, não compreendo quem as faz por opção. No fundo, julgo ser tudo um uma questão de educação (informação) das mulheres e dos homens.

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  9. Olá Rita, e mais uma vez obrigada pelas tuas palavras inspiradoras. A grande surpresa foi constatar que o teu post anterior possa ter ferido algumas susceptibilidades !!! Principalmente de mulheres, o que torna a questão mais bizarra. A História ensina-nos a caminhar para um mundo melhor, mas nós não aprendemos mesmo nada. Continua a publicar estes teus textos com questões tão interessantes, pois tenho aprendido muito contigo. Obrigada.

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  10. Rita,
    Vim “parar a sua casa” por via da donapontomaria e do seu workshop de patchwork. E em boa hora.
    Em boa hora porque é sempre muito bom conhecer mais e mais pessoas para quem o dia que se celebra hoje valeu a pena; está em nós agora e no futuro continuarmos a ser merecedores do que uns homens, cansados do abuso de poder a que estavamos sujeitos, lutaram para o que temos hoje: o direito a ter a nossa opinião, a concordar e discordar também.
    Muito há para dizer sobre os temas que aborda nestes seus posts, mas não me vou alongar. Apenas acrescentar, e com orgulho, que subscrevo o que acabei de ler! Só assim posso orgulhar-me, também, de ser mulher.
    Um beijo amigo
    ana paula

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  11. Como sempre, uns posts absolutamente inspirados e inspiradores!
    E bem a propósito neste dia da liberdade, em que sabemos que os direitos da mulheres ainda não são completamente respeitados, mas ainda vamos ter o prazer de os ver ser!
    Um abraço pleno de admiração,
    Patrícia

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  12. nao escrevo bem portugues mas entendo tudo. adorei o que escreve sobre os direitos da mulher e sobre a educacao de saber como o corpo feminino funciona. eu teve um parto por “lex caesarea” e o segundo era “normal” porém tao horrivel, doloroso e demorado (27 horas) que fiquei em favor da cesareana (se nao tiver outro jeito). mas cada mulher deve ter a possibilidade e o direito de decidir ela mesma. e para isso precisa-se de educacao! eliane da irlanda

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  13. way to go girl! Como sempre acho os seus posts sobre o tema da maternidade “no ponto”.
    Um bom dia da liberdade!
    Elizabete

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  14. Felizmente, viva a liberdade!
    Gostei muito do que li.
    A minha filha nasceu de parto normal num hospital público e quando me disseram que não era obrigatório deixar o pai assistir fiquei horrorizada e não compreendi. Quando questionei disseram-me que muitas vezes os pais não se comportavam bem, desmaiavam, gritavam, vomitavam, sendo necessário prestar-lhes auxílio o que desviava a atenção das mães. Compreendi mas não acho suficiente e não aceito.
    Felizmente nínguem impediu o meu marido de assistir. Ainda bem.

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  15. rita,
    nunca pensei que o teu outro post causasse polémica (talvez incredulidade perante mãe que defendem a ignorância como uma virtude, mas para isso basta saber que há quem ache que a educação sexual nas escolas é um atentado à liberdade individual!).
    mas sinto-te defensiva neste; como senti que ainda há mães que pedem desculpa por ter tido uma cesariana ou por não terem dado de mamar.
    e isso é crónico, não é? tu dizes que temos o direito a informarmo-nos e a parir como achamos melhor, e respondem-te como se estivesses a dizer que quem não teve um parto natural ou não deu de mamar é à partida má mãe.
    É uma noção estranha de liberdade, que prova que ainda temos muito que fazer por estas terras de abril.
    eu tive 4 dias em trabalho de parto porque recusei uma cesariana. não acho que ninguém tenha de fazer o mesmo que fiz – só gostava que não houvesse mais mães nas maternidades públicas a ter de fazer de okupa às salas de parto só porque é mais confortável para alguns médicos (não todos. no meu caso tive o apoio de uma médica de serviço) decidir por nós e usar a autoridade como único argumento. E também teria sido simpático não andarem atrás de mim com o carrinho de chá da epidural durante 3 dias a perguntar”é agora?”, e dispensava comentários poéticos como “se ainda não estás a ganir é porque não estás a parir” (SIC).
    Nota que acho isto tão grave como negar a uma cesariana ou uma epidural a uma mulher que esteja a sofrer. Mas quantas grávidas chegam ao parto sem dar do adquirido que não vão conseguir parir sem ajuda médica? quantas sabem que as cesarianas têm um pós-parto muito mais doloroso? Ou que há consequências para a criança quando optas por um parto medicalizado não necessário? Repito – não estou a passar atestados de imbecilidade a ninguém. Só não admito que nos obriguem a decidir na ignorância.
    Quanto à amamentação, para mim é ainda mais simples. Quem não quer dar de mamar, não dá. Mas quem quer tem de ser apoiado, e não achar que “ter leitinho” é uma sorte do caraças ou que o biberão e a chucha fazem parte da evolução natural.
    De resto… dei de mamar até aos dois anos e meio, em público sem sequer adimitir que comentassem o facto. No dia em que eu for chatear o juízo a alguém por ter um biberão na mão admito que me peçam explicações por ter a mama de fora.
    Mas o que mais me custou, sempre, foi ouvir comentários do tipo “és tão boa mãe, quem me dera…” É estes “quem me dera” que não podemos aceitar… sobretudo hoje.
    bjs e feliz liberdade!

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  16. Dear Rita,

    Your words are inspiring. We (woman) have the freedom to make an educated decision. That is what I “hear” in these two well written columns. I admire and thank you.

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  17. Gostei tanto deste post!

    Eu sinto-me sempre, no que diz respeito a estes temas, entalada entre dois opostos (tudo natural vs cesarianas electivas) e gostei muito de ler um post sobre a imensa maioria: as mulheres reais, que vão ter os seus bebés aos hospitais públicos. Os hospitais públicos, que precisam de percorrer um longo caminho, sim, em alguns aspectos, mas que prestam um serviço muito bom a nível médico (e muitas vezes social) e que são uma das maiores conquistas de Abril. As discussões sobre regras parvas em hospitais privados desviam a atenção do que é verdadeiramente importante.

    25 de Abril sempre! :)

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