VBAC & Cesarean Art

Quando escrevi o post das cesarianas, recebi um comentário que dizia assim:

Sonia Lemos Diz:

Abril 26, 2009 às 3:26 pm e

Concordo com o teor do artigo.
Acho, no entanto, muito INFELIZ que se va repetindo com frequencia que “ha mulheres que choram com muita magoa a sua cesariana”. Porque das duas uma:
1. escolheram a cesariana sem necessidade medica, talvez porque seja mais facil (mas por quem ja por ela passou sabe bem que o termo facilidade e tambem infeliz); nesse caso com certeza nao tem razao para ter magoa…
2. sobram portanto aquelas (nas quais eu me incluo) que fizeram uma cesariana porque tiveram que o fazer (por razoes medicas); e nesse caso, nao vejo porque ter magoa. pelo contrario, acho de uma felicidade extrema ter um bebe que, se fosse ha dois seculos, talvez nao sobrevivesse ao parto, ou que ate talvez sobrevivesse, mas orfao.
Acho RIDICULO falar-se em magoa quando o que esta em causa e o nascimento de um filho. com certeza que seria melhor te-lo “naturalmente”, mas quando a sua sobrevivencia esta em causa, as pessoas deviam ficar muito contentes por terem a sua disposicao uma alternativa que aumenta significativamente a probabilidade da vida.

Vou pegar neste comentário para escrever, tal como prometi, acerca dos VBAC (Vaginal Birth After Cesarian) ou PVAC (Parto Vaginal Após Cesariana).
No entanto, quero agradecer publica e sinceramente à Sónia Lemos pelo comentário e frisar que neste blog se escreve livremente e todos os comentários são publicados e bem-vindos – concordem ou discordem totalmente com o tema e palavras publicadas.

É realmente verdade que “há mulheres que choram com muita mágoa a sua cesariana”.


E não se enquadram em nenhuma das categorias que a Sónia enumera.

Em primeiro lugar é preciso perceber qual o motivo pelo qual foi feito uma cesariana.
De acordo com o ICAN (International cesarean awareness network) a cesariana é indicada nas seguintes situações:
– Placenta completamente prévia numa gravidez de termo,
– Posicionamento transversal do bebé com a dilatação completa;
– Prolapso do corsão umbilical;
– Placenta abrupta;
– Eclâmpsia ou Síndrome de HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas e baixa contagem de plaquetas) com indução de trabalho de parto sem sucesso;
– Grande tumor uterino que bloqueie o colo do útero na dilatação completa (a maioria dos fibromiomas mover-se-á para cima, à medida que a dilatação vai acontecendo, fazendo com que saiam do caminho do bebé);
– Verdadeiro sofrimento fetal comprovado com um perfil biofísico;
– Verdadeira desproporção cefalo-pélvica (bebé demasiado grande para a bacia da mãe). Esta situação é extremamente rara e está apenas associada a deficiências pélvicas (ou uma bacia partida e mal sarada);
– Surto inicial de herpes activo no início do trabalho de parto;
– Ruptura Uterina.

(Tradução minha da Cesarean fact Sheet da International Cesarian Awareness Ntework, elaborado segundo vários estudos médicos e científicos por nomes de referência da medicina e  obstetrícia a nível mundial)

Portanto, são estas as razões técnicas que levam a que 15% dos partos  ocorra por cesariana, segundo as directivas da Organização Mundial de Saúde.

Para estes 15% (nem que fosse 1%!) é absolutamente fantástico louvável que existam avanços técnicos e científicos que permitam realizar uma cirurgia denominada “Cesariana” que consiste numa incisão na derme, abdómen e útero de forma retirar um bebé do útero (para explicar as coisas de forma simples e abreviada).
Para os outros 85% dos partos, o corpo da mulher e o seu aparelho reprodutor é a melhor maneira de fazer nascer os bebés.

Então porque é que em Portugal, e à semelhança de todo o mundo ocidental, a taxa de cesarianas é de 33%, apenas ultrapassada na Europa pela Itália com uma taxa de 40%?…
Será que as mulheres portuguesas têm alguma deficiência que faz com que mais do que os 15% documentados e descritos pela OMS não consiga parir?
Obviamente que não.
Claro que há muitas pessoas que fazem as chamadas cesarianas electivas – sem indicação médica para tal e com dia e hora marcada – mas dessas situações não vou hoje falar, já o fiz anteriormente.
Acontece que as “razões médicas” são muitas vezes invocadas para justificar o recurso a uma cesariana, ainda que não sejam verdadeiras, ou sejam altamente manipuladas…
Qualquer mulher, por muito informada que esteja, está vulnerável numa altura como a do parto. E vai querer confiar plenamente naquilo que o médico lhe disser. Quando lhe é proferida a expressão “é pelo bem do bebé” ou “o bebé está em sofrimento” ela vai aceder a qualquer coisa que lhe seja sugerida de fazer, como é lógico.
Este é o desarme total e absoluto – a mulher é o ser frágil e assustado e o médico é o ser todo-poderoso que a vai salvar a ela e ao seu bebé de um sofrimento atroz.
Não é nenhum livro de ficção científica, é a realidade das hierarquias hospitalares que acontecem diariamente.

Claro que há muitas alturas em que o bebé está mesmo em sofrimento ou se torna mesmo necessária uma cesariana, mas mesmo essas situações acontecem na maioria das vezes pelo facto de se ter dado início a uma série de procedimentos desnecessários, como as célebres induções ou a administração de pitocina.
Não sei qual a percentagem de partos que são induzidos diariamente no  Serviço Nacional de Saúde, porque não há estatísticas disponíveis para consulta, mas sei que são muitos. Demasiados.
Não sei qual a percentagem de partos em que é usada a pitocina para acelerar o trabalho de parto já iniciado, porque não há estatísticas disponíveis para consulta, mas sei que são muitos. Demasiados.
Seria interessante cruzar estes dados com o número de cesarianas e as respectivas razões invocadas para as fazer…

Ao realizar uma indução quando não estão reunidas as condições necessárias para dar início ao trabalho de parto, estamos a começar a uma série de acontecimentos em cadeia que vão condicionar em muito o desfecho de um parto. Que terminará certamente em cesariana, por “Falha de progressão do trabalho de parto” ou “sofrimento fetal” pela dificuldade do bebé em lidar com as contracções horripilantes provocadas pitocina.
(é que a mãe não sente e está decansadinha da vida, por causa da “santa” epidural, mas o bebé sente tudo. Para o bebé a primeira fase do trabalho de parto – dilatação – é uma preparação progressiva e necessária para o nascimento. O aumento gradual e ritmado das contrações uterinas ajudam o bebé a encontrar o seu caminho até ao nascimento. Quando é usada a pitocina e as contrações são fortes e irregulares é lógico que surjam arritmias fetais que podem indiciar sofrimento)

Portanto há muitas cesarianas que são desnecessárias, dado que se tivesse sido respeitada a fisiologia do parto e não tivessem sido feitas intervenções desnecessárias à priori, o resultado não seria certamente uma cesariana.

Voltando ao princípio: há realmente mulheres que ficam frustradas e infelizes com o desfecho do seu parto resultar numa cesariana, ainda que terem um filho saudável nos braços seja uma enorme alegria.

Porque um parto com resultado feliz não se resume a uma mãe e bebé saudáveis, há muitas mais variantes a ter em consideração.

A cesariana é uma intervenção cirúrgica que tem interferência na vida futura da mulher, na sua saúde sexual e reprodutiva, na sua possibilidade de ter gravidezes futuras…

na sua auto-estima, na probabilidade de vir a sofrer de depressão pós parto, entre tantas outras coisas.

Não se pode subestimar o efeito depressivo que as cesarianas têm em muitas mulheres, ainda que delas resulte um bebé “perfeitinho”…
E isso está mais do que estudado e documentado.

Por isso é tão importante para muitas mulheres conseguirem um VBAC, principalmente quando sentem que foram defraudadas nas suas expectativas e quando pensam que a sua cesariana poderia ter tido um desfecho diferente se a sua fisiologia fosse respeitada.

Aqui fica uma lista com algumas sugestões do que fazer para ter um Parto Vaginal Após uma Cesariana:

– Em primeiro lugar é importante escolher um médico que esteja favorável à ideia de um PVAC (Parto vaginal Após cesariana). Se uma mulher se sente desconfortável ou melindrada com o comportamento do médico que a acompanhou durante a primeira cesariana, então está na altura de escolher outro médico.

– Contratar uma doula. A ansiedade sentida numa gravidez que se espera termine com um PVAC é muito maior. A pressão é muito forte, as angústias e incertezas também. Um doula vai ajudar a aumentar a confiança de que a mulher vai conseguir parir o seu bebé, além de que é uma profissional formada para fornecer a mais completa informação baseada em evidências científicas. A doula será o suporte contínuo ao longo de toda a gravidez, mesmo que não esteja presente no parto.

– Combinar com o médico de só dar entrada no hospital quando começar a haver alguma dilatação ou entrar em trabalho de parto activo. As mulheres que dão entrada no hospital antes das contracções uterinas estarem efectivamente presentes, estão mais sujeitas a não conseguir um parto vaginal.

– Evitar procedimentos de indução: quando são usadas drogas ou outras técnicas para induzir o parto o risco de cesariana aumenta exponencialmente, bem como aumenta a probabilidade de ruptura uterina, que é uma das razões mais invocadas para a não realização de um PVAC.

– Evitar uma epidural. A epidural tem bastantes efeitos adversos e colaterais, entre os quais a diminuição do ritmo cardíaco do bebé. Esta situação pode ser diagnosticada como sofrimento fetal e dar indicação a uma cesariana.

– Deambular durante o trabalho de parto e evitar a posição supina.

– Acima de tudo e mais importante: confiar na capacidade inata do corpo da mulher para parir e acreditar que é capaz!

Mais informação acerca de cesarianas e VBAC/PVAC:

INTERNATIONAL CESAREAN AWARENESS NETWORK

UNNCESAREAN


CHILDBIRTH CONNECTION


VBAC.COM

As imagens que ilustram este post foram retiradas do site CesareanArt, feito por uma artista anónima(?) depois da sua segunda cesariana.

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44 thoughts on “VBAC & Cesarean Art

  1. Eu fico imaginando com umas imagens chocantes dessas o que voce consegue de mulheres que tem hipertensao ou qualquer outro problema que impeça o parto normal. Uma mulher grávida é uma mulher muito mais sensivel e vulneravel do que uma mulher naturalmente ja o é. Sentimentos de culpa, incapacidade, medo, insatisfacao,terror mesmo. Eu apoio o parto normal pra quem pode tê-lo, mas não ando por aí espalhando fotos de “chacinas em corpos de grávidas” ou “equipe médica assassina com uma faca e pisando sobre sua vitima” pra fazer as mulheres optarem pelo P.N. Ao contrario, se sua intenção é boa, o meio é horrível. Tenho que ser sincera por que já tive 2 filhas e a mais nova acabou de nascer de P.C. por nao ter progressao de parto. Minha medica é excelente e capacitada,me senti segura e muito feliz por minhas filhas e nao me importa como elas saíram, o importante é que são saudaveis e felizes,comigo. Portanto, apesar de admirar seus comentarios e conhecimento inquestionavel sobre as algumas de suas colocacoes, me sentí chocada com essas imagens. Desculpe, mas achei de uma apelação enorme, e tambem acho que humilha a imagem da mulher que não escolhe, mas é obrigada a ter um P>C, e até da que escolhe, por que estando bem informada a pessoa tem o livre arbítrio de escolher o que achar que for melhor pra si.
    Um abraço, boa tarde.

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  2. por favor não ponham medo, a pessoas como eu, dos partos. metemos as nossas vidas nas mãos dos médicos e rezamos para que tudo corra bem. Os especializados sabem o que fazem

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  3. eu sou uma pessoa muito sensível ao que diz respeito aos partos, já tive um filho por cesariana e nao tenho porque me queixar. vou agora ter uma menina para Setembro e com tudo o que li aqui, fiquei ainda mais apavorada do que ja estava. È assim, cada um que faça as suas escolhas e rezem para que tudo corra bem e quando se tem o filho nos braços é uma bênção, uma felicidade incalculável e só queremos protege los de todo o mal. Não há nada no mundo que não falhe e não quero pensar em partos mas sim no amor que tenho para lhe dar quando ela chegar até mim… Acho muito desnecessario estes textos, a vida já tem tanta coisa triste, não ponham as coisas ainda mais negras. O nascimento de um filho é a coisa mais linda no mundo… e quem não sente isso é um ser triste.

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  4. Tenho que te dar os meus parabéns, pela correcção científica em tudo o que dizes, pelo embasamento científco das tuas opiniões, pela clareza mental com que escreves e pela tua determinação. Parabéns!

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  5. Hoje o mundo é regido pelo dinheiro.
    Fazer uma cesariana, é a ultima hipotese porque fica caro (estamos a falar dos hospitais publicos). Os médicos só recorrem à mesma quando é necessário e têm de se justificar muito bem.
    Se é para se assegurarem contra um processo? talvez. Mas os processos só se movem quando as coisas correm mal. Na minha perspectiva eles estão a precaver-se de um parto que correu mal.

    Cara Carla, fico triste por cada cesariana leviana que se faça. Mas fico muito feliz por cada bebé que se salva em cada cesariana necessária que se faz.
    Na balança, se baixar o prato em que se fez alguma cesariana a mais, em vez de baixar o prato de alguma cesariana que se fez a menos (leia-se: nascimento de bebé com anomalias decorrentes do parto), fico feliz.

    Carla, de facto os braços atados é terrível!!Não é uma acusação, mas apresentaste queixa?
    Se foi uma cesariana “sugerida” parece-me bem que escolhesses esperar, mas hoje em dia contam-se os pensos que se dão às recém-mamãs, quanto mais as cesariana não justificadas.
    Os 30 % do público não me chocam e se se devem melhorar procedimentos? sem dúvida!
    Os 90% dos privados, esses sim, chocam-me.
    Cabe-nos a nós mudar o mundo. Para melhor, com crianças saudáveis, fisica e mentalmente!
    Beijinhos e parabéns pela filha saudável fisica e mentalmente!

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  6. Antes de tudo, acho que aquilo porque lutas é pela INFORMAÇÃO das futuras mães.

    Não vamos ser apologistas ortodoxas do parto natural em todos os casos, ou da cesariana como intervenção justificável em qualquer situação.

    A informação que tu aqui forneces, é extremamente difícil de encontrar. E considero que uma mãe mal informada terá mais dificuldade em fazer as escolhas certas, principalmente por se encontrar num estado de fragilidade emocional e muito susceptível a pressões exteriores, de pessoas que consideramos mais habilitadas.

    Digo isto por experiência própria. Quem me dera ter tido acesso a esta informação.
    Não correu mal, porque não calhou.

    E honestamente, acho que é preciso insistir muito mais no método aparentemente inofensivo da “Indução de Parto”.
    Muitas mães têm de recorrer necessariamente à cesariana, sim, mas é preciso manter em mente que foi a soma de vários procedimentos menos adequados ao longo da gravidez que levaram a esse estado.

    Mais informação, melhores escolhas.

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  7. Olá,
    Tive a minha filha por cesariana, electiva, porque tenho uma retina frágil que arrisca descolar com o esforço de um parto normal. Uma razão além das adiantadas. Soube desde o primeiro dia que seria assim. Aceitei o facto sem qualquer mágoa ou receio… Vivi com tranquilidade toda a gravidez e o parto. Não foi por ignorância. Não foi por falta de informação. Simplesmente não poderia ter sido de outra forma…

    Obviamente que preferia mil vezes não ter tido essa predestinação. Claro que gostaria de ter a oportunidade de ter tido e de vir a ter um parto normal. Claro que senti o processo como frio e impessoal (também me amarraram os braços). Claro que senti a falta daqele momento cinematográfico de ter a minha filha sobre o meu peito no momento imediato ao ‘nascimento’.

    Mas as circunstâncias impuseram-se. A realidade é que recuperei lindamente. Sem dramas nem mágoas. Apenas na felicidade absoluta de ter sido mãe.

    A minha filha sabe que saiu daquele ‘risquinho’…

    Creio que a mágoa de uma cesariana só pode estar associada a uma depressão pós-parto que também pode advir de um parto natural. Acho legítimo questionar a frequência das epidurais (por muitas das razões invocadas), mas não se pode generalizar. Nem incorrer em exageros, mesmo que seja uma opção da mãe.

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  8. olà Rita,
    como sempre agradeço-te este espaço de diálogo tão importante na vidas das mulheres que foram ou serão mães. Só quero testemunhar que eu tenho 2 filhos, todos os 2 nasceram por cesariana por necessidade: sem as 2 cesarianas talvez os meus filhos não tivessem sobrevivido, e talvez eu também não. Compreendo o que dizes e a causa que defendes, a medicina é hoje um comércio lucrativo e este tipo de comércio da saúde praticado hoje em dia, deve de ser denunciado, só não concordo contigo quando afirmas que a cesariana pode vir a incidir na vida sexual, e ser causa sistemática de depressão post parto. Nem sempre é o caso, com parto normais muitas mulheres também podem ter problemas com a sexualidade assim como depressão. Eu nem tive problemas na minha vida sexual, nem para engravidar na 2a vez e também não fiz depressão post parto. Nem tudo é assim tão negro quando se faz uma cesariana. As minhas foram prerfeitinhas e são praticamente invisíveis. E felizmente que existem médicos que respeitam as suas profissões.
    Achei as imagens utilizadas de muito mau gosto, horrorosas e gratuitas, não eram necessárias para este tipo de discurso, mas claro é o teu espaço de diálogo.

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  9. Olá Rita!

    Eu sou uma das felizes mulheres que teve um parto vaginal após uma cesareana. Um parto vaginal que adorei, mas que teve enormes complicações pós-parto, estive mesmo, mesmo muito mal, uma hemorragia interna, uma ida ao bloco, uma re-soturação, e problemas que ficaram até hoje, continuo a aguardar uma consulta no SNS para tentarem “remediar” o erro. Posso dizer-te que não voltei a ser a mesma mulher , depois disto.
    A cesariana foi feita por “sofrimento” fetal agudo, estive uma noite inteira com epidural e nada de contracções. De manhã decidiram fazer-me a cesareana “porque o bebe estava muito aflito”. Foi uma enorme frustração para mim, apesar de ter um bebe maravilhoso e saudavel nos braços, e apesar de saber hoje que os dias seguintes a uma episiotomia ainda são piores que os dias seguintes a uma cesareana.

    Apesar de tudo, a experiencia de um parto vaginal, o ver a minha filha nascer, o tê-la pele com pele comigo , no meu peito acabada de sair de dentro de mim, foi a experiência mais extraordinária por que passei.

    Tenho, no meu blog , os relatos do parto e pós-parto, caso manifestes interesse em ver.

    Ha, e se tivesse um 3º filho, a primeira coisa que faria era contratar uma doula, agora que estou muito mais informada e passei por todas estas experiências.

    Bárbara

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  10. Subscreve por completo a opinião da Olga Baptista.
    Eu fiz duas cesarianas por razões que já expliquei, recuperei lindamente e rápidamente. Em ambos os casos, o bébé ficou comigo assim que saí do bloco operatório e dei de mamar imediatamente. Gostava de ter tido um parto normal, mas não aconteceu, não tem de ser um drama. Não me sinto nem melhor nem pior mãe do que as que fazem partos normais, mas incomoda-me que se fale em plenitude como mulher. Então e quem não pode ter filhos?

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  11. Boa tarde Rita

    Fiz uma cesariana electiva e não me considero pior ou melhor mãe/mulher do que se tivesse tido um parto vaginal. Não sou uma maluquinha que queria continuar com a cintura anterior ao parto, a única coisa que me interessou foi que o meu filho nascesse com saúde e que eu que não passasse uma gravidez cheia de ansiedades e medos, que como deve perceber também não são nada saudáveis para o bebé.

    No meu caso, decidi-me por uma cesariana porque tenho um irmão deficiente mental cujo parto durou dois dias e o qual se pensa que terá sido a causa da sua deficiência. Como deve perceber o meu medo foi e é legítimo, assim como o de muitas mulheres que apesar de não terem qualquer problema físico por motivos psicológicos acabam por se submeter a uma cesariana.

    Não sou uma defensora ferranha das cesarianas, mas há casos que acredito piamente que se justificam e muito. Depressões e problemas na saúde reprodutiva também acontecem com com os partos por via normal. E como deve saber não há nada como uma episiotomia para interferir com a vida sexual, além dos muitos casos em que a mulher fica incontinente (temporáriamente ou não).

    Vi o meu filho SAUDÁVEL e PERFEITINHO logo que saiu da minha barriga (Apgar 10), dei de mamar até aos 7 meses, não tive depressão e a minha auto estima continua tão perservada como antes.

    Problemas acontecem e sempre vão acontecer independentemente da forma do parto…concordo que um parto natural na maioria das vezes será mais benéfico para o bebé e a mãe…mas por favor NÂO GENERALIZEM não façam as mulheres sentirem-se culpadas quando o assunto é uma das coisas mais importante da vida como o nascimento de um filho. Já dizia o meu pai que o maior inimigo das mulheres são as próprias mulheres…

    Atenciosamente

    Olga Baptista

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  12. Bom dia.
    Em tempos já comentei uma nota sua.
    Eu não choro a mágoa de uma cesariana, que nunca fiz, mas dói-me todos os dias o parto normal e natural, sem epidural, que tive da minha filha mais velha.
    E o tempo que passei sem ela, no pós-parto, ela e eu de quase mortas que estavávamos.
    A mágoa de só a ter visto quando a minha Mãe ma trouxe.
    E os riscos, desnecessários, que ela e eu passámos.
    E o retomar da minha actividade sexual.
    E as lesões permanentes no meu sistema digestivo e reprodutor.
    E a demora em voltar a engravidar, por medo puro.
    E isto tudo depois de ter seguido direitinho todos os procedimentos e preparações para um parto normal, sem epidural. Não foi por falta de preparação, de conhecimentos, de aconselhamento médico, de vontade. Aliás, quando dizia que ia fazer um parto natural, sem epidural, todos diziam que estava louca.
    E, apesar de tudo, congratulo-me por ter sido aconselhada, apesar do sucedido, a optar por um parto vaginal da minha filha mais nova, que acabou por ter corrido fantasticamente.
    Mas choro a insensibilidade, quase o fundamentalismo, de quem toma um ou outro lado nesta questão, como se de uma verdade absoluta se tratasse.
    As imagens, não me chocam nada, mas se estivesse a ser sensibilizada para um parto vaginal e as visse, fugiria, não do parto vaginal ou da cesariana, mas de ter filhos, fosse de que forma fosse.

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  13. fiquem todas em paz com as vossas cesarianas. mas nunca se esqueçam os bebés não é suposto nascerem de uma operação e serem-nos tirados a não ser que seja uma necessidade. o natural é eles saberem o caminho para chegarem até este lado. a nossa comida é suposto entrar pela boca, o ar pelas vias respiratórias, o som pelos ouvidos etc quando assim não acontece é porque alguma coisa correu menos bem e ai vivam as intervenções e a troca da ordem natural das coisas. é muito importante que nos lembrem a ordem natural das coisas porque vezes de mais as estão a esquecer… muito obrigada rita nem imaginas como o teu contributo é importante. estou totalmente em paz com a minha cesariana mas totalmente convicta que foi uma operação e não um PARTO e que talvez pudesse ter evitado ter sido OPERADA para ter o meu filho junto de mim! não tenho qualquer mágoa relativamente à cesariana mas vou esforçar-me para conseguir um VBAC de uma próxima vez porque estou convícta que é o melhor. As imagens não me chocam nada, ainda bem que as incluiste há provocações à nossa sanidade mental aparentemente inócuas e com as quais lidamos infelizmente melhor…

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  14. Boa noite Rita
    Obrigado pelo post.
    Tenho duas filhas, a primeira nascida por cesariana e a segunda por parto vaginal. Fui uma dessas mães que chorou com muita mágoa a sua cesariana. Porque não tinha sido opção minha e porque foi muito provavelmente desnecessária, fruto de intervenções desnecessárias. Apesar da enorme felicidade de ter a minha filha nos braços. Só que uma coisa não anula a outra… a felicidade coexiste com a mágoa de pensar que poderia ter sido tudo muito diferente.
    Como acredito na capacidade natural de parir, para mim foi bastante natural tentar que o meu segundo parto fosse vaginal. E foi! E tudo correu lindamente, sem intervenções desnecessárias, num hospital público, porque uma médica percebeu o quanto isso era importante para mim e porque ela sabia que era perfeitamente possível e seguro! E nunca me senti fundamentalista, até porque teria aceite com igual naturalidade se fosse REALMENTE necessária uma segunda cesariana. Mas não por dá cá aquela palha.
    As imagens são fortes, chocantes até, mas espelham o que esta mulher sentiu: que as suas cesarianas foram uma violência para si e para o seu bebé! E não acho isso necessariamente patológico. Espelha sim um grande sofrimento.
    Para terminar, relativamente ao comentário da Sónia Lemos, não se podem enquadrar as pessoas em categorias estanques. Não nos esqueçamos da enorme diversidade de personalidades, pensamentos, sentimentos, que faz de cada um de nós pessoas únicas.
    E tenhamos a humildade de nos compreendermos e aceitarmos uns aos outros.
    Bem hajam!

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  15. Olá Rita,
    Eu gostava que me esclarecesse algumas coisas. A minha primeira cesariana não se enquadra em nenhuma das situações que indica no Post de acordo com o ICAN, mas gostava de perceber então o que podia/devia ter feito na altura.
    Tive uma ruptura alta das “aguas” num domingo à noite já com 37, 38 semanas e dirigi-me calmamente ao meu hospital público onde fiquei internada até 4ª feira qdo decidiram fazer a cesariana. Durante estes dias tentaram provocar o parto e foram fazendo avaliações do sofrimento fetal. Não cheguei a entrar em trabalho de parto, quase não houve dilatação. As minhas questões são:
    – Não devia ter ido para o hospital?
    – Como é que em casa avaliava a progressão da perda de liq amniótico?
    – Como é que faziam a avaliação do sofrimento fetal?
    Peço desculpa pelo comenário longo :)

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    1. Olá Ana!

      Obrigada pelo teu contributo!

      Vou tentar responder às tuas questões:
      – Uma ruptura de bolsa pode ter vários aspectos: Pode ser uma ruptura franca em que a mãe perde toda ou muita quantidade de líquido amniótico. Neste caso, os médicos não são favoráveis a esperar muito tempo que o parto se desenrole da maneira natural, apesar de vários estudos referirem que em caso de ruptura franca, sem presença de mecónio (indicador de sofrimento fetal) e com uma avaliação positiva do bem-estar fetal, pode-se esperar até 48h pelo trabalho de parto dar início.
      Após este “pazo” deverá ser provocado o parto, e em última análise, caso o trabalho de parto não ocorra, uma cesariana.
      – Mas a ruptura de membranas também pode ser “alta” como dizes, em que apenas uma pequena parte de líquido amniótico é libertado.
      Neste cenário a mulher também deve ser avaliada por um profissional, assim como o bem-estar do bebé, e pode-se esperar bastante mais tempo. De acordo com o protocolo hospitalar vigente podem esperar até 4 dias sem induzir (como parece que foi o teu caso) mas há vários estudos que indicam que se tudo está bem pode-se “esperar” até 8 dias e o trabalho de parto terá início por si.

      A questão aqui é mais uma vez a forma como o parto é induzido e a postura que a mulher adopta neste cenário.
      No protocolo hospitalar habitual a mulher está continuamente monitorizada e portanto não tem grande possibilidade de movimentos, ainda que haja abertura por parte da equipa assistente para que isso aconteça.
      O ideal é a mulher manter uma postura ACTIVA durante o trabalho de parto, adoptando posições verticais, fazendo movimentos com a bacia, caminhando… de forma a cooperar com a indução.
      Estando uma mulher deitada, sem se mexer e constantemente monitorizada, está necessariamente numa postura mais PASSIVA e menos cooperante a que a indução tenha resultados positivos.

      Mais uma vez, é uma questão que tem a ver com os modelos de assistência, com a informação de que as mulheres dispõem e com a postura que adoptam durante o trabalho de parto :)

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  16. Tenho de continuar.
    Aquilo que me horripila nestas imagens é pensar na pobre criança.
    Esta é uma mãe claramente traumatizada. A criancinha aparece sempre infeliz e cheia de sangue.
    Mesmo que a criança tenha nascido saudável, claramente a mãe não o é. E por consequencia o filho também não.
    Nunca me hei-de esquecer uma amiga dirigir-se à própria barriga como sendo um DESGOSTO por o ser que gerava não corresponder ao género que ela desejava.
    Esta questão do desgosto deixa de ter sentido a partir do momento que se tem um filho nos braços! Saudável!!
    Querem maior milagre que esse??

    O que também me horripila é ela apresentar-se de braços presos.
    Quando lhe disseram que ia para cesariana, porque é que ela não foi para casa ter o filho de parto vaginal, já que constituia uma prioridade tão importante?

    Pobre bebé.
    Se calhar nasceu fisicamente saudavel.
    “Apenas” isso.

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    1. Eu consigo rever-me perfeitamente nestas imagens, portanto sou uma mãe “claramente traumatizada” e no entanto, tenho uma filha de oito anos maravilhosa e muito feliz. Obrigada pela preocupação, Ana.

      Ah, a cesariana foi-me sugerida porque eu não fiz a dilatação. Durante a cirurgia estive sempre com os braços atados à maca (horripilante, posso garantir!). Já com a bebé cá fora, mas a barriga ainda aberta, a epidural perdeu o efeito e as dores, como será fácil de imaginar, foram lacinantes.

      E se fosse hoje provavelmente não teria ido para casa mas seguramente diria que preferia esperar para o dia seguinte.

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  17. Pois eu não acho nada que sejas fundamentalista, nem intolerante com as escolhas dos outro, nem acho mal nenhum nestas imagens, pelo contrários – acho-as muito interessantes sob vários pontos de vista e autênticas obras de arte porque mostram clara e inequivocamente o sofrimento de quem as fez.
    Se toda a gente falasse a verdade nua e crua, como aqui tens feito neste blog, havia muita mais gente a ver com os seus próprios olhos e pensar com a sua cabeça. Em vez de aceitarem cegamente todas as MENTIRAS que lhes dizem acerca do parto…

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  18. Quando tive o meu primeiro filho o pediatra disse-me que o importante é seguir o instinto.
    Aquilo que nos diz o coração é o que será 90% das vezes mais correcto.
    “No entanto Ana, tenha muito cuidado, que nisto da maternidade é muito fácil entrar em fundamentalismos. E o fundamentalismo é o fior inimigo das crianças”.
    Beijo

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  19. Olá Rita!

    Conheci há pouco o seu blog e através dele o seu trabalho, através de um post da Ervilha Cor de Rosa, e gosto muito – venho espreitar sempre q posso – não pelos trabalhos mas como pelos seus textos sobre a humanização do parto, dar de mamar de forma natural, etc. Com este texto não foi excepção – sou uma dessas “mulheres que choram com muita mágoa a sua cesariana” – ainda mais quando teve de ser com anestesia geral – claro que o importante é o meu filhote ter nascido bem e cheio de vitalidade e tudo ter corrido pelo melhor (o início da amamentação na maternidade foi outra luta – mas fica para outro dia) – mas a mágoa ficou e deixou marcas bem lá no fundo, por muito que tenha tentado esquecer – ficarei sempre na dúvida se não teria corrido tudo bem se não tivessem induzido (só porque não sabiam porque não tinha crescido e era mais fácil controlar tudo cá fora) – mas é como diz – como posso eu pôr em causa a decisão dos Deuses?? Chorei tanto quanto me rebentaram as águas (mais tarde soube q por descuido)… e ninguém percebia porquê. Ao ler o seu texto percebi encontrei finalmente que não estou sozinha, e que há quem compreenda algo que todos diziam ser uma estupidez. Vou fazer tudo para q o próximo seja natural, esperando que nessa altura o parto humanizado faça um pouco mais parte dessa realidade – preparando-me ao mesmo tempo p q tal possa não acontecer, mas a ser q seja por razões inquestionáveis – sempre é mais fácil de aceitar não ter nem participar em algo com que tanto sonhei.

    Bjs,
    Marta

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  20. Depois de ler as várias respostas aqui colocadas, há uma questão que eu não vejo respondida: admitindo que uma mulher faz uma cesariana (seja porque motivo for) no 1ºfilho e que quer ter um parto vaginal no 2º filho. Qual é o risco de rompimento do útero? Qual é o risco de morte? Mais importante ainda: porquê incorrer num risco (porque há sempre risco) para mãe e bebé quando se pode fazê-lo com um risco muito inferior?? Não percebo. É convicção? é o desejo de parto natural que se sobrepõe ao desejo de vida? Gostava que falassem nisso.
    Pergunto tudo isto porque, mãe pela 1ª vez de cesariana, o meu médico foi peremptório quando lhe perguntei se poderia ter parto vaginal no próximo: Nem pensar. São as indicações de várias entidades nacionais e internacionais. Não se faz um parto normal depois de uma cesariana porque há risco de vida.
    De qualquer das formas, por incompatibilidade pélvica não poderia nunca fazê-lo.

    Para mim é simples: se há risco de vida (que admito que também haja na cesariana, mas muito inferior) não há discussão e essa é uma posição legítima dos médicos.

    Como disse alguém mais acima, eu não percebo as mães que fizeram cesariana e vivem esse parto com mágoa. Não entendo. É um momento importante e lindo sim senhor. Mas não é o mais importante. Não há que ter mágoa. A não ser que quisessem ter 5 ou 6 filhos e não pudessem.

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    1. Olá Sara!

      Obrigada novamente pelo contributo. Neste caso não posso deixar de responder às questões que colocas, porque partem de premissas erradas que é necessário clarificar:

      Numa segunda cesariana, o risco de ruptura uterina é muito maior do que se for efectuado um parto vaginal (VBAC).
      A questão dos risco tem muito que se lhe diga, e não é tão linear como a expões.

      Em primeiro lugar, não há forma melhor de uma criança nascer do que por parto normal. Todas as vezes em que ocorre uma cesariana há uma questão de patologia associada, porque NÃO é a maneira normal de os bebés nascerem.

      O risco de ruptura uterina aumenta com o nº de cesarianas efectuadas, por isso ao fazer uma segunda cesariana a melher está a sujeitar-se a um maior risco de ruptura uterina em gravidezes futuras, está a aumentar o risco de sofrer dos problemas de saúde reprodutiva associados à cesariana e está a limitar à partida o nºo de filhos que poderá ter no futuro.
      E sim, uma mulher que queira ter 4 filhos por exemplo, deve pensar seriamante na primeira cesariana, pois poderá por em causa esse número de filhos.

      Também para uma bebé o risco de vir a ser internado nos cuidados intensivos neonatais é muito maior do que se nascer de parto vaginal, o risco de vir a sofrer de complicações e problemas respiratórios, entre outros, também é muito maior do que aquele que existe se nascer de parto normal.

      Ainda em relação aos riscos para o bebé: foi ontem (coindidência!) apresentado mais um estudo sobre o tema que diz, entre outras coisas, que:
      – 9.3% dos bebés que nasceram de segunda cesariana foi admitido nos Cuidados Intensivos Neonatais por problemas respiratórios e apenas 4.9% dos bebés que nasceram de um VBAC;
      – 41.5% dos bebés que nasceram de segunda cesariana precisou de oxigénio na sala de parto, e apenas 23.2% dos bebés nascidos de VBAC;
      – depois de admitidos nos cuidados intensivos 5.8% dos bebés nascidos de segunda cerariana precisou de oxigénio e apenas 2.4% dos bebés nascidos de um VBAC.
      O estudo será publicado em Junho no American Journal of Ginecology and Obstetrician mas pode ser lido o resumo aqui:
      http://health.usnews.com/articles/health/healthday/2009/05/21/risk-to-baby-rises-with-repeat-c-sections.html?PageNr=1

      Ainda achas que é mais seguro para um bebé nascer de segunda cesariana do que de um VBAC?…
      Ainda achas que corre menos riscos?…

      Ainda em relação às rupturas uterinas: há vários estudos que documentam que o risco de ruptura uterina aumenta consideralvelmente com o uso de substâncias como a pitocina e prostaglandinas para provocar e acelerar o trabalho de parto que provocam contrações fortes e irregulares.
      Num VBAC sem uso dessas substâncias o risco de ruptura uterina é consideravelmente menor do que numa segunda cesariana.

      Com o devido respeito, o teu médico não não estará na posse de toda a afirmação ao afirmar “São as indicações de várias entidades nacionais e internacionais. Não se faz um parto normal depois de uma cesariana porque há risco de vida.”.
      As várias entidades nacionais e internacionais como a própria OMS e várias publicações médicas de referência não corroboram esse tipo de postura, antes pelo contrário…

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  21. Parece-me que a questão das cesarianas é quase como a do aborto.. Só diz (ou deveria) dizer respeito por quem ela passa, independentemente de ter sido por escolha própria ou não. Parece-me também que todos os motivos são válidos, sejam eles quais forem. Quer se queira quer não, ambos os “partos” têm desvantagens e não sei porquê, mas parece-me que as mulheres que tiveram um parto normal se preocupam mais com o tema do que aquelas que fizeram cesariana.
    E sim, eu passei por uma cesariana. Por sinal num hospital público e neste momento, aós 6 meses do nascimento da minha filha, estou mais preocupada em a educar e criar para ela um dia mais tarde ser uma mulher tolerante com as escolhas dos outros.

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  22. Olá Rita, antes de mais quero dizer-te que admiro o teu olhar determinado sobre este e outros assuntos, mas a minha experiência leva-me a ter uma perspectiva um pouco diferente da tua, digo diferente e não contrária.
    Sou mãe de 2, ambos nascidos de cesariana e em ambos os casos tenho quase a certeza que os médicos que me acompanharam, e com os quais não tinha qualquer relacionamento, só decidiram pela cesariana quando viram que nada mais havia a fazer.
    Da primeira vez fui para o hospital com uma ruptura da bolsa e após 12 horas de trabalho de parto, dilatação completa (ou quase, já não sei!), um bebé muito subido e um corpo que não tinha vontade de fazer força, os médicos muito atenciosos, diga-se em abono da verdade, lamentaram a necessidade de uma intervenção cirúrgica e explicaram porque era mais seguro fazê-lo.
    Do segundo nascimento o parto foi provocado, faltavam 2 dias para fazer 42 semanas de gestação, e de todos os médicos e medicas com que me cruzei e foram muitos (a partir das 40 semanas ia de 2 em 2 dias ser observada e fazer ctg) todos me disseram que em principio não havia razão para não ter um parto vaginal. Mas mais uma vez, apesar de 6 horas em trabalho e dilatação completa (ou quase!), o bebé continuava muito subido e o meu corpo não tinha vontade de fazer força e teve que se fazer outra cesariana.
    Esta é a minha experiência pessoal que me leva a acreditar que pelo menos nos hospitais públicos, que pelo menos no hospital de Santarém, não se fazem cesarianas por “dá cá aquela palha”.
    Acredito mais, como tu referes, que talvez o elevado numero de cesarianas seja uma consequência do parto induzido, isto apesar de todos os casos de partos induzidos que conheço terem sido partos vaginais.

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    1. Olá Xana!

      Obrigada pelo teu contributo :)

      Apenas dois reparos: não questionando a competência dos médicos que te acompanharam, um bebé muito “subido” como indicas não é motive para cesariana. É sim motivo para levantar a mãe da posição supina, encorajá-la a adoptar uma posição vertical e movimentar-se, entre tantas outras coisas que se pode fazer quando um bebé não está a descer convenientemente no canal de parto.
      Se te fosse oferecida essa possibilidade, certamente nenhum dos teus partos terminaria em cesariana.
      A culpa não está nos médicos, atenção!, está no sistema de atendimento ao parto no nosso país que não respeita a fisiologia. Essa é uma “pequena” questão que faz toda a diferença!

      Em relação ao Hospital de Santarém, foi onde tive os meus 4 filhos, de parto normal, e onde “briguei” para poder ter uma parto natural dos meus gémeos, que de outra forma teriam sido forçados a nascer de uma cesariana desnecessária.
      Tenho grandes amigos nesse serviço, pessoas que respeito e admiro profundamente.
      Mas a verdade é que o Hospital de Santarém é dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde com maior taxa de cesarianas, a rondar os 30% da média nacional…

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      1. Sim Rita, talvez sim, acho que nunca tinha pensado nisso, se já tinham tentado tudo não custava ver se a gravidade dava uma ajuda à gravidez ;).
        Mas como tu dizes é difícil quando estamos num ambiente que não nos é familiar, rodeados de pessoas que não conhecemos, fazer exigências ou dar sugestões, arriscando-nos a ouvir algo que deixe as nossas hormonas num estado ainda mais caótico.
        Da minha segunda gravidez fiz uma visita ao bloco de partos e a perguntas relativas à necessidade da colocação de soro, da monitorização constante, de não nos podermos levantar, a resposta foi qualquer coisa do género:”é este o procedimento porque é o melhor”. Inclusivamente do meu 1º filho fui imediatamente algaliada (e ainda não faziam ideia que ia para cesariana), ou seja não me mexia nem para ir á casa de banho.
        Ainda a respeito do protocolo do parto, quando perguntei se podíamos ter os bebes de cócoras a enfermeira respondeu que 2 ou 3 médicos deixavam parir assim, mas os outros não. Mas isso já são outros quinhentos.

        Obrigada pela resposta.

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  23. Para mim, é muito delicado este assunto, e tem que haver algum cuidado ao aborda-lo … A minha irmã teve uma gravidez normalissima , sem quaisquer tipo de problemas , no dia do nascimento do Lourenço , nada fazia querer que alguma coisa corresse mal, e não tinha nenhum dos problemas que indica, o processo foi todo normal, foi uma heroina e esteve mais de 24 h em trabalho de parto para que o Lourenço nascesse por parto natural, as forças faltaram e a dilatação nem com soro acontecia , foi necessário fazer uma cessaria de urgência ! Provavelmente se não estivesse num hospital , hoje a minha vida seria muito triste !! Quanto ás ilustrações acho demasiado grotescas , mesmo para mim que ainda não passei pela experiência de um parto, imagino para alguém que já fez uma cessariana !

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  24. Viva Rita,

    Aqui há uns tempos enviei-te um mail sobre VBA2C a que me respondeste prontamente mas depois coloquei-te mais algumas dúvidas que, se pudesses responder, agradecia. Obrigada.

    Neste momento preocupa-me isso. Num hospital público há uma possibilidade de VBAC, se formos firmes, embora eu não tenha conseguido. Mas não foi uma cesariana traumatizante como a primeira pq sinto que me foi dada uma oportunidade.

    Mas depois de duas, já não te é dada a oportunidade. E eu quero-a. Quero tentar, mesmo que não resulte. Preocupa-me conseguir isso. Já só tenho até Agosto.

    Depois um outro à parte: às vezes parece que quando queremos as coisas de forma natural somos rotulados de anti-tecnologia ou algo assim. Como se não fossemos sensatos, não apreciássemos os avanços da classe médica. Pois eu aprecio bastante. Ainda há pouco pensei que o meu segundo filho (e provavelmente este terceiro q trago na barriga, ou qq outro q venha a ter) não sobriveveriam há uns anos atrás por incompatibilidade de RH, ainda q o parto fosse maravilhoso. Provavelmente não chegariam lá. Estou mto grata pela intervenção no meu sistema imunológico que me permite ter qtos quiser, com o pai que escolhi para eles. Agora a(s) cesariana(s) pq passei… não me convencem. E a questão é que não vejo uma razão médica para elas. Se visse, seria mto mais feliz.

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  25. Sublime! Parabéns, Rita, pelo seu blog e pela forma lúcida, racional e informada com que expõe as ideias. Parabéns, também, pelo seu trabalho. Ando a namorar os seus workshops à distância…

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  26. Olá Rita, quando começaste a falar de cesarianas num post anterior fiz um draft de um email que nunca cheguei a enviar, mas que com este novo post acaba por fazer mais sentido. Tem a ver com as indicações médicas para uma cesariana. Não vi, na lista que apresentaste, qualquer referência a uma infecção por HPV. Não é uma indicação, quando a mãe tem o vírus em presença, ainda que não tenha qualquer lesão grave activa? Penso que o parto é uma das formas de transmissão do HPV e já li em alguns locais que, em alguns casos, é aconselhada a cesariana. Mas eventualmente haverá ouros em que não será…
    Obrigada por forneceres tda esta informação – é um estímulo para procurar ainda mais.

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    1. Obrigada pelo teu comentário e pergunta pertinente Teresa!

      Antes de mais, esclareço que a lista de razões para efectuar uma cesariana foi transcrita integralmente do site do ICAN e corresponde às circunstâncias em que INDUBITAVELMENTE se deve realizar uma cesariana. Todas as outras razões/motivações possíveis são passíveis de várias opiniões e dependem de cada caso concreto e especial.

      Respondendo à tua pergunta: de acordo com a Sociedade Americana de Obstetrícia e Ginecologia e vários estudos apresentados em publicações médicas de refeência como a PubMed, British Medical Journal, etc, a probabilidade de o bebé ser contaminado duarnte o parto é infima e os riscos da cesariana tanto para a mãe coomo o bebé são superiores do que o risco de o bebé ficar infectado.

      No entanto, esta é uma questão delicada e será obrigatoriamente o médico a avaliar cada caso. Depende da extenção da infecção, da existência ou não de verrugas e lesões nas mucosas, do grau de infecção, etc.
      É aconselhável o tratamento da infecção antes e/ou da gravidez.

      No entanto, a infecção por HPV não é necessária e inequivocamente uma indicação para cesariana.

      Obrigada pelo teu contributo :)

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  27. Muito interessante este post assim como as imagens que escolheu para ilustrá-lo!
    Li os anteriores também relacionados com este tema e acho muito importante que se discuta aqui este assunto da forma o faz.
    Gosto muito do seu blog e continuarei a visitá-la.
    Teresa Pinto

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  28. tenho 3 filhos, fiz 3 cesarianas… as 2 primeiras de emergência (e confio absolutamente nas equipas médicas que m atenderam, por isso tenho a certeza que não podia ter sido de outra maneira, para meu bem e dos meus bebés), e a 3ª porque tinha de ser, depois de 2. Não foram os partos que eu tinha sonhado, mas foram 3 histórias com final feliz, e isso é que conta.
    Penso que o aumento das cesarianas tem muito a ver com o aumento do número de partos em hospitais privados, pagos pelos seguros…
    Eu tive os meus filhos num hospital público, e lembro-me que numa das vezes tive de pedir aos meus pais que me levassem papel higiénico de casa (tinha-se acabado!!!), mas por outro lado tive os meus filhos a mamar mal saí do bloco, e a dormir comigo no quarto (partilhado com outra mãe e outro bebé), tive 1 enfermeira bruta, mas tive muitas enfermeiras fabulosas, e tive a certeza de que se me acontecesse alguma coisa, ou aos meus bebés, estava num lugar onde existiam todas as condições de segurança e intervenção que fossem necessárias. Penso que nos hospitais privados não se corre o risco de o papel higiénico acabar… mas tenho a certeza de que há uma probablidade maior de p parto acabar em cesariana.
    Quanto aos desenhos, acho-os horríveis, e penso que quem os fez está num grande sofrimento psicológico – e tanto sofrimento, por causa de uma cesariana, parece-me patológico.

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  29. Concordo com a Sónia quando diz que a cesariana é muitas vezes um procedimento necessário trazido pelo progresso e que ainda salva algumas vidas. No passado eram muitas as crianças e as mulheres que morriam em consequência de um parto mal sucedido por muitos e variadíssimos motivos. Sou licenciada em história e lembro-me de ler alguns relatos de partos em transcrições de docs. medievais (sempre achei este assunto interessante) num dos quais se descrevia a morte de uma princesa dos países baixos, após quatro pavorosos dias com a cabeça do seu bebé encravada na bacia.

    Para não me alongar mais e após ler o teu texto, tb muitíssimo interessante, depreendo que a grande causa para a maioria das cesarianas chamemos “abusivas” será a indução do parto. No meu círculo de amigas e conhecidas, quase todas foram sujeitas a indução do parto por motivos de conveniência dos médicos e delas próprias. Elas porque queriam ser assistidas pelo seu médico(a) e estes porque queriam rentabilizar o seu tempo e simplificar a sua vida. E se é este o motivo, discordo absolutamente com a indução. Se há um tempo para nascer e se a gravidez é saudável, esse tempo devia ser respeitado. Eu própria tive uma indução marcada para as 39 semanas. Muito mal informada na altura, aceitei o procedimento e só não passei por ele porque o meu filho quis sair às 38 certinhas. Mas não me livrei da occitocina e em meia hora passei da uma situação de dor controlada e cíclica, para um estado doloroso constante e agudo. Aos quatro dedos de dilatação pedi anestesia. Esta anestesia, talvez a tivesse igualmente pedido no caso de um parto totalmente natural e sem hormonas artificias, mas as dores eram realmente insuportáveis e ininterruptas e nada parecidas com aquelas que me tinham sido descritas no curso de preparação para o parto. Ainda por cima tinha que estar deitada, quando só me apetecia correr pelos corredores fora.

    Em resumo e para não me alongar mais: sou a favor do parto hospitalar, mas completamente contra induções por conveniência.

    Um bj e muitos parabéns pelo teu texto e pela clareza das tuas ideias

    Mónica

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  30. Caramba, a mulher/artista estava mesmo em sofrimento! São imagens fortes mas se não o fossem era impossível passar o sentimento como ela conseguiu!
    Quanto ás situações em que a cesariana é indicada, ficaram de fora aquelas em que o problema está fora do aparelho reprodutor. Há mulheres, como eu, que não podem passar por uma força tão bruta.

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  31. Primeiro que tudo gostava de referir que embora estas imagens sejam à partida chocantes, esquecemo-nos que a realidade é mesmo assim e eu sei porque fui brindada com uma cesariana de urgência por não progressão do parto.
    E sou uma das muitas mulheres extremamente feliz pelo seu bebé perfeitinho e que chora com muita mágoa a sua cesariana.
    Durante 15 meses chorei muito e tudo o que mais queria era a oportunidade de voltar atrás e fazer tudo de novo. Nessa altura foi-me finalmente diagnosticada a depressão pós parto e agora que já olho para o nascimento do meu filho de uma forma muito mais racional tento colocar para trás das costas todos os “se” e planeio da melhor forma possível um VBAC.
    Eu não pari o meu filho, ele foi-me tirado.
    E eu gostava muito de ser uma mulher que vê a cesariana como uma coisa normal, porque na ignorância reside muita felicidade.
    As pessoas vêm as cesarianas como uma coisa normalissima e esquecem-se constantemente que se trata de uma GRANDE cirurgia, com risco de morte e todas essas coisas associadas. Uma cirurgia para ser denominada de “GRANDE” tem de cortar 3 camadas de tecido, a cesariana corta 7 camadas de tecido. SETE!!!!

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  32. Olá Rita!
    Gosto sempre muito dos teus posts, sobretudo nos que abordas este tema. Mais uma vez parabéns!
    Queria falar sobre as doulas porque no outro dia estava a falar com uma amiga e a minha irmã sobre a reportagem na tv e a ideia que tinham das doulas não era correcta. Primeiro achavam que todas eram enfermeiras. Quando expliquei que uma doula era uma mulher com formação profisssional para seguir uma gravidez, não acreditaram. Não achavam bem pagar se a quem era doula (não viam isso como profissão).
    Penso ser importante divulgar mais o trabalho das doulas.
    Outra ideia que tinham era que as mulheres (da reportagem)estavam a gostar de sofrer a parir. (!!??) Não sou, ainda mãe, mas acho que a posição usada nos hospitais não será a mais confortável e numa piscina, banheira, de cócoras as dores se tornem suportáveis, até mesmo agradáveis (?) espero não estar a dizer o maior disparate! ;)
    Bjinhos *
    Continua com o óptimo trabalho, de quilts, roupa linda, e textos elucidativos!
    Ah e eu gostei dos desenhos, achei bonitos e mostram bem o sofrimento sentido pela autora.

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  33. Olá Rita.
    Acho louvável o teu papel, convicto sem ser fundamentalista mas sobretudo extremamente informativo. No entanto, não posso deixar de dizer que estes “desenhos” que colocaste hoje são sinistros e assustadores. Não há necessidade de ilustrar um procedimento cirúrgico legítimo com esta “arte” de tão mau gosto. Não me interpretes mal, não é por ter sangue é mesmo porque, do meu ponto de vista está mal feito.

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    1. Querida sara, Obrigada pelo teu comentário!

      Compreendo perfeitamente o que dizes – algumas das imagens são altamente perturbadoras.
      Andei vários dias a pensar se as publicava ou não e optei por fazê-lo mesmo sabendo que provavelmente não iam ser bem recebidas…
      Porque é que o fiz? Porque o meu objectivo era mostrar como realmente a cesariana deixa marcas profundas em várias pessoas – esta mulher que fez os desenho é nitidamente exemplo disso.
      Um cesariana não é bonita de se ver, por isso compreendo que os desenhos tb não sejam bonitos de se ver.

      Não te levo nada a mal! Obrigada pelo teu contributo :)

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