o zeca falava assim…

“Custa-me ver no meu pais este massacre contracultural de que estamos a ser vítimas. Isto a começar pelos incêndios, destruição criminosa do nosso património artístico, destruição da nossa arquitectura rural tradicional para dar lugar as construções a três cores dos emigrantes… Há ainda a quebra da nossa memória histórica, que se entende perfeitamente. Há um hiato muito grande depois da guerra colonial. Tenho uma certa nostalgia da imagem de Portugal que me foi dada por Raul Brandão, Camilo Castelo Branco, pelo próprio Eça de Queiroz (que era, de certo modo, um afrancesado), pela poesia popular portuguesa, pelos cantores de décimas, pela Rosa Ramalho, pelas festas populares, pelas adegas que hoje estão a ser substituídas por snack-bares, pelos cinemas de bairro que hoje estão a ser substituídos por estúdios…”

“O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar alibís para justificar o nosso conformismo, entao está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de “homenzinhos” e “mulherzinhas”. Temos é que ser gente, pá!”

E cantava assim:

Morreu há 23 anos, mas aqui continua vivo. Uma referência constante.


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7 thoughts on “o zeca falava assim…

  1. Zeca Afonso é sem dúvida um dos grandes valores musicais e culturais portugueses. Um verdadeiro Poeta e Sábio. Ouço bastante Zeca e por mais que ouça não consigo esconder a emoção que me assalta a sua música. Por mais que os anos passem as suas músicas e a sua mensagem continuam actuais.

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  2. O Zeca é nosso, é património histórico e cultural do nosso país e do mundo. Cá em casa, “hoje e sempre, Zeca está presente”! Ouvimo-lo muitas vezes, mantamo-lo aos nossos filhos. Vive em nós e penso que se prolongará neles. Linda foto que escolheste para ilustrar este post. Obrigada!

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  3. Cresci a ouvir Zeca Afonso e ainda hoje hoje oiço regularmente. Lembro-me do dia em que faleceu, apesar da tenra idade. E lembro-me perfeitamente de em 1983 os meus pais terem ficado tristes por não poderem assistir ao último concerto no Coliseu.

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