and now for something completelly different: “Lex Caesarea”

Há 4 anos atrás, era a minha filha mais nova um bebé de 3 meses, aconteceu um episódio que se viria a demonstrar revelador dos tempos…

Estávamos nós em férias familiares, os 6 mais os avós, quando os gémeos (na altura com 8 anos) brincavam com umas meninas da idade deles.
As ditas meninas estavam encantadas com a bebé, é claro. Só queriam fazer festinhas, cócegas, vê-la rir.
Às tantas a Matilde começa a mamar. As meninas ficaram de olhos esbugalhados, como se fosse a primeira vez que viam tal coisa. Perguntaram aos meus filhos porque é que a irmã deles não tinha um biberon, porque é que estava a mamar, estaria doente?…
Eu, impávida, mas muito curiosa, fiquei à escuta.
Os meus filhos responderam: Doente?! claro que não! Ela é pequenina, nasceu há pouco tempo e ainda mama.
As meninas: “Nasceu há pouco tempo? então e a tua mãe está de férias, não lhe dói a ferida?
Os meus filhos: “Ferida, qual ferida?!…”
Elas: “Ah!, a ferida da cicatriz!”
Eles: “Cicatriz?… Mas cicatriz do quê?”
Elas: “Ora, és mesmo parvo! A cicatriz da barriga, por onde o bebé nasceu!”
Eles: “Mas ela não nasceu de cesariana, foi pelo pipi da minha mãe.”
Elas:O quÊ?! Mas tu és parvo! Isso não é assim!
Foi aqui que resolvi intervir. Dirigi-me a elas e disse:
“é verdade, ela nasceu do meu pipi, eles não estão a gozar. Como é que pensas que nascem os bebés?”
Elas: “A minha mãe disse-me que se leva uma pica nas costas, ficamos a dormir, e depois o médico abre a barriga e tira lá de dentro o bebé. A seguir acordamos e o bebé já está vestido ao nosso lado! Não custa nada :)”
Eu: “ Mas não é assim que acontece normalmente, sabes? Os bebés nascem dos pipis das mães. Há alguns bebés que não conseguem nascer sozinhos e precisam de ajuda. Aí as mães fazem uma operação que se chama cesariana e os bebés são tirados da barriga”.
Elas: “A sério?! Mas eu nunca ouvi falar disso!”
Eu: “Não?, nem na escola?. Mas olha que é assim mesmo. Se quiseres saber mais pergunta à tua mãe, ou à tua professora.

Eu estava um bocado incrédula com o episódio: Duas meninas de oito anos, bem vestidas, inteligentes, provavelmente pertencentes a uma classe média/alta, escolarizadas, não sabiam como nascem os bebés! Assim vai o estado da educação sexual no nosso País, pensei eu…
Entretanto, passado uns minutos, aparece ao pé de nós, visivelmente alterada e esbaforida, uma “senhora” bonita, muito bem vestida, com ar bem sucedido, jovem (na casa dos seus 30 e picos), a descompor-me por estar a dizer disparates à filha e à sobrinha.
Eu pergunto, com toda a calma do mundo, até porque tinha uma bebé a dormir nos braços: “Desculpe, mas quais disparates?… As meninas estavam a falar com os meus filhos acerca da bebé e não se acreditavam que ela tinha nascido de parto normal. Estavam a duvidar dos meus filhos e a chamar-lhe nomes e eu interferi apenas para explicar que era verdade o que eles estavam a dizer, e que é assim que nascem os seres humanos”.
A “senhora” avisou-me que não eram assuntos para tratar com crianças tão pequenas e que eu não tinha o direito de estar a dizer disparates às meninas. Ainda me advertiu para a indecência de estar a amamentar a minha filha em público, já que foi esse episódio que despoletou o incidente.
Afastou-se, levando as miúdas arrastadas.

Claro que os pais têm o direito de educar os filhos como melhor entenderem e de acordo com o seu quadro de valores. Não me parece, no entanto, que possam mentir descaradamente acerca da biologia humana e origem da vida, ainda para mais quando se trata de meninas de 8 anos. As crianças têm direito à educação adequada, já o diz o art.º 6.º dos Direitos da Criança…
Eu limieti-me a ir em auxilio dos meus filhos, que estavam a ser apelidados de “estúpidos” e “parvos” por dizerem a verdade.

O que é que isto tem a ver com os dias de hoje, perguntam vocês? Tudo.
Hoje em dia a grande e esmagadora maioria das mulheres acham que é normal, e até desejável nascer por cesariana.
São precisamente as mulheres mais instruídas, com mais posses, mais educação e escolaridade superior que assim pensam.
As pessoas marcam as cesarianas como quem marca uma ida ao Spa ou uma ida ao dentista para arrancar os dentes do siso. É normal, é simples, rápido, higiénico e sem dor.

Claro que há excepções e eu conheço bastantes. Há pessoas que fazem cesarianas completamente contra a sua vontade, mulheres que ainda hoje choram ao lembrar-se dessa mágoa. Não somos todas iguais, felizmente!
Quanto a criticar ou não opções, penso que nas minhas palavras nunca leram algo do género “Quem escolhe cesariana é pior mãe!”. Eu nunca diria uma coisa dessas… Que dissesse que é uma pessoa mais burra, mais ignorante, menos informada… aí talvez possa dizer.
Mas as mães não se medem pela quantidade de horas em trabalho de parto nem pelo número de pontos da cicatriz da cesariana. As mães são sempre o melhor que podem e conseguem ser, nasçam os filhos de que maneira for. Não é isso que está em causa quando se discute o direito ou não a uma cesariana electiva.

Posso aceitar que as mulheres tenham direito de escolha – fazer ou não uma cesariana programada, sem ser por motivos de saúde. Mas que o façam no privado, a pagar do seu bolso com o seu seguro de saúde. No público não aceito.
Em Março do ano passado a Comissão Nacional de Bioética emitiu um parecer sobre precisamente este tema, e era da opinião que deveria ser possível a mulher optar por uma cesariana programada, electiva (sem indicações patológicas para tal), isto no Serviço Nacional de saúde.
Aliás, o referido parecer até assentava na ideia de que haveria discriminação, dado o elevado número de cesarianas que se faz no privado (em muitos casos acima dos 80%) e a possibilidade que a mulher aí tem de decidir.
(isto da ética também tem muito que se lhe diga… no estados unidos, por exemplo, onde as cesarianas são já uma epidemia alarmante e onde a taxa de mortalidade materna está a aumentar drasticamente fruto – precisamente – das cesarianas desnecessárias e da “cultura da cesariana”, uma Comissão de Ética produziu há vários anos um comunicado semelhante a este. Houve logo outra comissão de ética que disse o seguinte: “Se é ético um médico apoiar as escolhas pessoais de uma mulher que quer uma cesariana electiva, então também será ético aceitar e apoiar as mulheres que querem ter partos aquáticos ou em casa, por exemplo.”)
Felizmente o Comunicado não colheu apoio institucional – para os médicos que trabalham no privado e só fazem cesarianas isso é-lhe indiferente pois continuarão a fazer o seu trabalho como têm feito até agora. Em relação ao próprio Ministério da Saúde, um dos objectivos para 2010 é precisamente diminuir a taxa de cesarianas, além de que fazê-las a pedido no público implicava um esforço financeiro incomportável, e por isso também não acolheu este parecer.

Como todos nós sabemos, é muito mais fácil a um médico fazer uma cesariana. São eles próprios que afirmam que é a melhor forma de se defenderem antecipadamente de qualquer acção judicial caso as coisas corram mal.
Portanto, a cesariana é mais confortável para todos: para as mulheres, que assim o desejam, para os médicos que ganham mais e têm menos chatices e para os Hospitais que ganham uma pipa de massa em meia hora. É um negócio lucrativo.

Sou eu que sou realmente “fundamentalista” ou há aqui qualquer coisa que cheira a esturro?…
Afinal, esta é ou não uma questão de dinheiro e comodidade?
Não se trata apenas de direitos. Era bom que assim fosse, mas não é.
Ainda nos Estados Unidos, também se falava, a propósito das cesarianas, que fazer uma cesariana electiva sem necessidade é o mesmo que colocar uma banda gástrica numa mulher jovem, saudável e de peso certo à sua estatura, só para prevenir a obesidade futura. Parece ridículo, mas se virem bem as coisas não é tão descabido assim o paralelismo…

E dos riscos, ninguém fala? Não existem? Sabem quantas mulheres ficam impossibilitadas de partos normais depois de terem tido uma cesariana? Quantas desenvolvem placenta prévia em gravidezes futuras? Quantas morrem de complicações pós-operatórias? Quantas têm sépsias gravíssimas que levam a histerectomias precoces?
Por alguma razão a Organização Mundial de Saúde recomenda que a taxa de cesarianas não deve ser superior a 15%. Mas parece que para certos médicos a lei do dinheiro fala mais alto do que a própria OMS…

A mim não me incomoda as cesarianas das outras. Façam o que quiserem. Mas não digam  que é normal por favor. Porque não é.
Eu não falo por mim nem tão pouco a olhar para o meu umbigo, como tantas outras fazem quando defendem as suas cesarianas. Eu já tive filhos, tenho excelentes experiências de parto, que fazem de mim a pessoa que sou, que me moldaram o carácter, que me fizeram mulher, Sem complexos da minha sexualidade nem da minha feminilidade.
Falo pela minha filha e por todas as meninas que um dia serão mulheres e quererão ter filhos.
Falo pela sobrevivência do género humano.

Vivemos tempos conturbados, crises de valores, de conceitos, mudanças repentinas de hábitos e de costumes.
Estamos num século onde as mulheres são cada vez mais inférteis e têm cada vez mais problemas do aparelho reprodutor, onde nascem cada vez menos crianças nos países industrializados, onde até já os transexuais são notícia por engravidarem.
Se passarmos a nascer por cesariana, somo será o futuro?..

Já agora, e relembrando o brilhante Herói do ano 2000, porque não deixarmos também de ter sexo e passarmos a fazê-lo por telepatia?…
Sempre é mais limpinho e higiénico como lá li por aí alguém, referindo-se a uma cesariana…

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64 thoughts on “and now for something completelly different: “Lex Caesarea”

  1. Estou grávida de 35 semanas e ao chegar ao jardim escola do meu filho de 3 anos (que nasceu por cesariana, infelizmente) a educadora, no meio dos meninos e meninas sentados perguntou: “O S. vai ter uma mana. Por onde nascem os bebés?” e todos em coro: “Pela VAGINA”. :-) Acho que não choca nem deve chocar ninguém.
    Quanto à questão das cesarianas… é um acto médico e como tal deve ser sugerida em situações clínicas e não normais. O movimento que se está a formar é no sentido de diminuir as intervenções desnecessárias e não deixar de serem feitas. Acho que há muita confusão na interpretação do objectivo por parte de muita gente.

    Continuações

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  2. O teu post já ganhou asas e chegou à televisão!
    Já viste o tema do sociedade civil de amanhã na rtp2?:
    parto normal ou cesariana?

    Parabéns pela coragem de falares sobre o que é realmente importante!
    Continua!

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  3. Conclusão, só os ricos podem efectuar cesariana electiva!
    Vais ‘parir’, pois então tens de aguentar as dores, o sangre, o alargamento vaginal, tudo em nome das boas tradições e costumes.
    O corpo é meu, os receios são meus, as dores são minhas, a filha é minha, se algo correr mal quem chorará será a minha família, os meus amigos, porque razão não posso, num momento tão importante como o parto, decidir acerca do procedimento que julgue mais adequado à minha situaçõão (desde que devidamente informada)?
    Tenho pena, muita pena de viver no sec. XXI e saber que existem mulheres que querem impor as suas concepções de vida a outras que não as partilham.
    Aguardo ansiosa um post acerca da amamentação artificial…

    Sónia

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  4. Olá,

    A minha filha nasceu de cesariana programada em Janeiro, por razões apontadas pela minha obstetra e com as quais eu concordei. Devo dizer, que apesar de todo o receio que tinha, e depois dos horrores todos que ouvi sobre cesarianas, fiquei surpreendida pela positiva. Como foi epidural pude ver e beijar a minha filha mesmo antes de o cordão ser cortado (a obstetra puxou-a para perto de mim). O meu companheiro pode assistir a tudo e inclusive filmar o parto. Dei de mamar à minha filha (o que continuo a fazer até hoje) ainda nem uma hora tinha passado do nascimento dela. A minha recuperação foi maravilhosa no mínimo. Em quatro dias retiraram-me os pontos, e não posso sequer dizer que tive dores no pós-operatório. Durante todo o tempo que estive a ser cosida o meu companheiro esteve sempre com a nossa filha, ou seja, ela por momento nenhum ficou com alguém estranho.
    Posso ter tido eventualmente sorte com o pessoal e a minha obstetra, mas vou sempre recordar o meu parto como um momento mágico e único, que até hoje me faz chorar de felicidade, apesar de ter sido uma cesariana e não o parto vaginal que sempre quis.
    No entanto, quando a minha filha um dia me perguntar como nascem os bébés, vou explicar-lhe todo o método dito normal e natural, e dizer-lhe que, infelizmente, por razões médicas ela não pode nascer assim, mas que para a mãe dela foi o momento mais feliz de toda a sua vida!
    Parabéns pelo blog, gostei imenso :)

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  5. Nunca tinha lido o teu blog, cheguei cá através da Rosa. Tenho 3 filhos já grandes que, infelizmente, nasceram todos de cesariana. O primeiro por sofrimento fetal, a 2ª porque tinha spina bífida e o 3ª porque …tinha de ser! Eles já são grandes mas sempre tive imensa pena de nunca os ter visto logo que nasceram, embora o pessoal de enfermagem fosse impecavel e mesmo a 2ª que estava nos cuidados intensivos fui ver 24h depois de cadeira de rodas, mas 24 horas são muitas horas….Dei de mamar a todos e acho que é a melhor coisa que há, a relação mão-filho que se estabelece é única e depois é económico, está sempre à temperatura ideal, não é necessário levantarmo-nos de noite, é só vantagens. E francamente, acho sempre uma cena linda, uma mãe a amamentar o seu filho, seja onde for!
    Beijinhos e parabéns pelo blog, de que fico “cliente”.

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  6. Infelizmente não consegui ler todos os comentários, de qualquer das formas deixo a minha opinião.

    Tive o meu filho mais velho de cesariana por necessidades médicas e em hospital publico, sendo que mesmo assim nasceu com um Apgar baixissimo, quando foi do meu segundo filho e depois de algumas horas em trabalho de parto optei por tê-lo de cesariana, com o apoio do médico na minha decisão e em hospital privado. No caso do primeiro veio para o meu peito assim que acordei e que o vi, e no caso do segundo veio para o meu peito imediatamente a ser visto pelo pediatra, vi ser retirado da minha barriga, literalmente. Mas isso agora nem interessa para este assunto, há-de haver sempre várias opiniões e decisões e esta dicotomia parto natural vs cesariana. E fundamentalismos dos dois lados.

    O que me chocou neste post foi a manutenção das crianças na ignorância, e mais, no erro. O meu filho mais velho (7 anos) sabe que nasceu da barriga, mas que os bebés saem normalmente pela lóló, pipi, whatever. Sabe como são feitos, com as adaptações normais para a idade. E nunca me lembraria sequer de lhe omitir, muito menos mentir. Imagino que para essas crianças deve ter sido extremamente desagradável ouvir que a mãe as enganou/mentiu. Muito mau. E extrapolando isso para a vida, e não só para assuntos “sexuais”, não quero nem imaginar o que se passará na cabeça das meninas. :(

    Esperemos que no futuro estas sejam situações raras ou melhor, inexistentes.

    Um beijinho e parabéns pelo trabalho, Rita.

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  7. Venho aqui frequentemente mas, que me lembre, nunca deixei comentários. Mas primeira parte do post deixou-me incrédula…

    Que episódio surreal! Distorcer a realidade dessa forma é boicotar o futuro dessas crianças. Elas vão crescer e possivelmente querer ter filhos e na bagagem levam já uma ideia muito deturpada sobre o que é um nascimento. Independentemente das opções que cada mãe seguem, na educação dos seus filhos, a realidade não deve ser distorcida ou ocultada. Isso é que é indecente!

    Parabéns pelo post. Gostei muito daquilo que li.

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  8. Meu filho nasceu de uma cesária não planejada, por razões médicas, e depois disso entendo ainda menos as mulheres que optam por por cesariana. Pode ser mais fácil no momento mas é mais difícil e doloroso durante muito tempo depois, quando você tem um pequenino em casa para cuidar.
    Independente disso, defendo sim o direito de escolha, e aí fica a minha pergunta: se é uma escolha pensada porque mentir para as crianças? Se quem escolhe fazer uma cesariana eletiva preza seu direito de optar, porque não explicar para seus filhos as opções e a sua escolha?
    No mais, parabéns Rita, pelo blog e pelo texto, são fantásticos.
    Abraço!

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  9. Concordo com o teor do artigo.
    Acho, no entanto, muito INFELIZ que se va repetindo com frequencia que “ha mulheres que choram com muita magoa a sua cesariana”. Porque das duas uma:
    1. escolheram a cesariana sem necessidade medica, talvez porque seja mais facil (mas por quem ja por ela passou sabe bem que o termo facilidade e tambem infeliz); nesse caso com certeza nao tem razao para ter magoa…
    2. sobram portanto aquelas (nas quais eu me incluo) que fizeram uma cesariana porque tiveram que o fazer (por razoes medicas); e nesse caso, nao vejo porque ter magoa. pelo contrario, acho de uma felicidade extrema ter um bebe que, se fosse ha dois seculos, talvez nao sobrevivesse ao parto, ou que ate talvez sobrevivesse, mas orfao.
    Acho RIDICULO falar-se em magoa quando o que esta em causa e o nascimento de um filho. com certeza que seria melhor te-lo “naturalmente”, mas quando a sua sobrevivencia esta em causa, as pessoas deviam ficar muito contentes por terem a sua disposicao uma alternativa que aumenta significativamente a probabilidade da vida.

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  10. Rita, li este texto em voz alta, com o meu filho de 9 anos a ouvir com toda a atenção. Ele nasceu de cesariana, porque os 4,250 de rapaz não conseguiam passar pelo meu corpo, de forma nenhuma. Eis que, nove ano depois, e por nascer cinco semanas antes do previsto, a irmã conseguiu vir ao mundo de forma táo natural, que nem eu acreditava ser possível. De forma que lhe expliquei tudo, já nessa altura. De como a irmã passara pelo pipi porque era mais pequenina, de como a mãe não teve tempo para epidural, de como se deve nascer ao natural, quando possível.
    E ele, ao ouvir os disparates da senhora bem-posta que te abordou, sintetizou tudo: “mãe…há mínimos”.
    bjs

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  11. Olá Rita!
    Sigo o teu blogue há 2 anos. Gosto do teu trabalho, do facto de teres 4 filhos – já ninguém tem mais do que 2 filhos- e de falares sobre o parto/amamentação. Eu tenho 28 anos, nasci de cesareana por ser gémea e sempre ouvi o relato do tormento do pós parto. O meu irmão mais velho nasceu por parto normal mas foi um sofrimento para ele e para a nossa mãe. Resumindo,vibro por ter um filhote um dia destes mas tremo de medo do parto, seja natural ou cesareana.
    Vir aqui ajuda-me a pensar sobre estas coisas, imaginar que comigo pode ser melhor- não tenho necessáriamente que passar mal.
    Gosto da dedicação que pões neste assunto, na magia que sinto envolver a maternidade.
    Sobre o assunto “de onde vêm os bebés”, sou contra a mentira, o tabú, o mito da cegonha mas a favor de que a informação seja fornecida à criança em idade indicada e não cedo demais. Ou seja, acho que os miúdos devem estar informados mas não devem ter acesso a demasiados detalhes da vida dos adultos. Tudo a seu tempo.
    Obrigada Rita por humanizares o parto e por teres um blogue útil mas também muito bonito. :)

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  12. Parabéns Rita pelo texto.
    é inacreditável como genérica e gratuitamente se proclama um tão esturricado progresso, perdendo a noção dos limites do que é uma total desconexão com a real qualidade (e liberdade) de vida.
    Acho, definitivamente, que as balanças andam bem descalibradas – “magicamente” manipuladas por visionários empenhados na riqueza do seu futuro: riqueza na futuro de uns e pobreza no futuro de tantos…
    *

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  13. Que historia incrivel, e bem contada. Tambem as historias nos comentarios. Porque é que temos tanta vergonha dos nossos corpos, a fisomonia e a natureza? A verdade é lindo, porque ha de mentir? Gostou destes falares abertos aqui na tua casa virtual. Beijo

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  14. Fantástico post!
    Eu também penso assim.
    Tenho – tal como tu – quatro cachopos, nascidos de parto absolutamente natural: sem anestesias, sem complexos nem paciência para parvoíces sobre “não querer sentir a dor” e “não alargar a anca” e sabe Deus o quê…
    O primeiro de todos – o João, há quase 9 anos – teve de ser induzido e não foi muito fácil pois ele era grandito (53cm) e pesadito (3,720Kgs). As contracções foram dolorosas, como presumo que sejam todas. Mas a dor não foi superior ao que se sente quando se é mãe: o que revivo imediatamente, quando recordo o parto, é sempre o Amor e o encantamento de olhar para os seus olhos.
    Também dei de mamar em todo o lado, para gáudio de uns e desespero de outros. E como tive sempre bastante leite, trocava de discos de amamentação em qualquer lado e, às vezes, não dava tempo e lá ficava eu a escorrer… Naturalmente… Sem tempo para hesitações ou complexos ou o que quer que fosse.
    A mais nova fez ontem um ano… e que saudades eu sinto já de tudo isso!
    Abraço e parabéns pelos teus trabalhos.

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  15. Brutal a história que conta sobre o nascimento. Como é possível neste século, XXI, termos problemas em ensinar que o normal é nascer via vagina e diferente são as outras vias. Tenho 60 anos e aos meus filhos, hoje nas casa dos 30, ensinei-os com linguagem acessível, mas com a verdade.
    Fico com pena das crianças que têm pais assim.

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  16. Todas as mulheres que, primeiro, mostrem os seios enquanto amamentam e, segundo, que falem sobre a natureza do parto por via vaginal a criancinhas ingénuas e indefesas, deveriam automaticamente ser consideradas bRUXAS, sendo, consequentemente, queimadas em poste público, numa qualquer praça perto de vós.

    Parece-me uma ideia válida e fofa. Tão fofa que só apetece agarrar, abraçar e dar beijinhos.

    Boa? Boa.

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  17. Haverá coisa mais BONITA que um parto natural?
    Concordo em absoluto com tudo o que escreveu.
    Não entendo o agendamento do nascimento de um filho.
    Como é possível em pleno séc.XXI haver tanta ignorância.
    Só falta continuar a ensinar as crianças que os bebés vêm de Paris no bico de uma cegonha.

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  18. Olá Rita, parabéns pelo teu post, gostei muito.
    Eu tive a minha filha de parto normal (com uma ajudinha dos fórceps), dei de mamar exclusivamente até aos seis meses (o que me deu muito orgulho e gozo) e ela própria deixou a mama aos 11 meses (com muita pena minha). E não consigo perceber como é que algo tão natural como parto normal e dar de mamar possa ser posto de parte, mas cada um é que sabe de si!
    Das cesarianas e do pouco que li sobre o assunto já percebi que é prática corrente nalguns países (deve ser bom ter dores de pós-parto), exemplo disso é o Brasil, onde existe, se não estou em erro, um movimento para respeitar a vontade das mães que desejem ter um parto normal.
    Em relação à conversa das meninas e da sua mãe maluca, não me admira. Eu sou professora do 3º ciclo, e numa das minhas aulas (que estão bem longe da Biologia) proporcionou-se um mini debate sobre sexologia e uma aluna de 15 anos perguntou-me se podia engravidar por praticar sexo oral, e acredita que não estava a gozar. Isso sim chocou-me! Realmente é necessário aulas de educação sexual sem tabus nas escolas… Mas acho que os pais ainda não perceberam o que é educação sexual, devem pensar que lhes vão ensinar posições sexuais, como se eles não tivessem imaginação!!!!
    Desculpa o longo comentário e espero não ter ser muito inconveniente… :)

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  19. já foi tudo dito por ti e reforçado nos comentários! ;)
    só vou acrescentar que agora começam os meus receios, estou de 36s mas por nenhum momento tive dúvidas de que queria parto normal… sou completamente à cesariana por “dá cá aquela palha”!
    imensas pessoas que conheço dizem-me “vais querer cesariana, não vais?”… querer?… enfim…
    espero que nenhum de nós esteja em perigo no momento porque quero mesmo muito um parto normal com o pai ao lado =)

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  20. Parabéns pelo post, reflecte de facto uma realidade impressionante, essa mãe que lhe apontou o dedo por dar de mamar na rua, não entende que esse acto é tão simples e natural, como o acto de respirar. Mas a moral em Portugal acaba por levar sempre a vantagem sobre a ética. Teimamos em caminhar para uma sociedade do falso moralismo. Relativamente ao parto natural e à cesariana, e apesar de ser homem, não deixo de ter uma opinião, que me leva a defender sempre que possível a opção pelo parto natural. Bem haja pela reflexão que aqui expôs brilhantemente.

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  21. Parabéns pelo post, reflecte de facto uma realidade impressionante, essa mãe que lhe apontou o dedo por dar de mamar na rua, não entende que esse acto é tão simples e natural, como o acto de respirar. Mas a moral em Portugal acaba por levar sempre a vantagem sobre a ética. Mas teimamos em caminhar para uma sociedade do falso moralismo. Relativamente ao parto natural e à cesariana, apesar de ser homem não deixo de ter uma opinião, que me leva a defender sempre que possível a opção pelo parto natural. Bem haja pela reflexão que aqui expôs brihantemente

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  22. Na verdade hà mais questoes a envolver esse tema do quanto normalmente vejo debatidos em livros, blogs, sites, etc. O seu texto foi o mais abrangente que li ultimamente.

    Sao tragicomicos os textos que disparam criticas para todos os lados sem dar-se conta do enorme numero de exceçoes existentes e que nada tem a ver com maes desinformadas mas com fatores fìsicos de mae e filho.

    Eu, que sempre quis um parto normal, com muita pena, escolhi um parto cesareo porque minha filha tinha tres voltas de circular de cordao à poucos dias do final da minha gravidez. Sabia que hà casos em que consegue-se o parto normal bem sucedido mesmo com a circular mas os riscos eram muitos. Preferi um pòs parto terrivel e as dores do cesareo e ainda tive que suportar algumas naturalistas xiitas que tinham o prazer em torturar-me com criticas!

    Quanto aos pequenos… infelizmente, o problema é ainda mais extenso. Neste mundo tao cheio de armadilhas e inutilidades para as crianças, educa-las bem e para o bem tornou-se tarefa ardua porque as escolas nao fazem milagres e muitos pais de hoje também nao foram bem educados.

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  23. Olá Rita!
    É a primeira vez que te visito, através do blog da Rosa!
    Adoro este teu texto e muito me identifico com ele por várias razões! Primeiro porque sou enfermeira num bloco e “faço” diariamente algumas cesarianas pelas mais variadas razões; segundo porque tenho o mestrado em Bioética; e Terceiro porque tenho uma bebé de quase 7 meses que nasceu de cesariana contra a minha vontade…Entrei com dilatação no hospital, mas a bacia estreita e uma bebé de 4kg fez toda a equipa recuar e “forçar-me” a fazer cesariana! Até porque sentia o medo na cara de todos, sendo o meu serviço e o receio que tudo corresse menos bem com o pessoal da casa! Chorei muito… antes, durante, depois… e ainda tenho vontade cada vez que olho para esta sutura na barriga, que quase não se nota, mas para mim é mais visivel que tudo!
    Felizmente tive sempre acordada, amamentei logo a minha filha e ainda amamento! Nunca bebeu um biberon, ou melhor, já bebeu mas com o meu leite! E espero amamentar por muito mais tempo… até ambas termos vontade!

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  24. Tive dois partos vaginais. Dei de mamar aos meus filhos 19 e 12 meses respectivamente. Não sou capaz de por em palavras a sensação de empowerment que sinto até hoje de ter tido o privilégio de termos vivido essa experiência
    Defendo a liberdade de escolha das mulheres e médicos para que ambos sejam protegidos durante, antes e depois do parto.

    Não consigo é defender a liberdade de escolha de uma mãe para matar os seus bebés. Especialmente com o dinheiro dos meus impostos.

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  25. Hola a todos y todas, disculpan que me meta y que escriba en castellano, porque no se portugues.
    Pero me llamo la atencion lo siguiente- somos mujeres modernas del siglo XXI, no es cierto? como puede ser que sigamos usando NOMBRES o DENOMINACIONES que tambien son erroneas o que DISIMULAN la verdad?

    Yo entiendo que en portugues “pipi” tal vez se llama a los lugares femeninos- pero de donde hacemos PIPI no es de donde vienen los bebes! entonces, seguir usando esa terminologia es demostrar que estamos tan encerradas en la cultura que no vemos como nos afecta! Una VAGINA, y un clitoris y unos labios tienen funcion diferente que la de FACER PIPI! entonces, llamar a todo “pipi”, que de hecho es la funcion EXCRETORA DE PIPI, es una forma de EVITAR PENSAR “Y NOMBRAR EL RESTO: los organos sexuales reproductores. Asi que mulheres, a pensar en que usan como las palabras y por que. Y asi como hablan de darle importancia a la maternidad en una cultura machista (que lo es!) tambien es importante que las mujeres sean conscientes de NO APOYAR esa cultura machista, NI SIQUIERA en la negacion de su sexualidad y su capacidad maternal AUNQUE SEA en el “inocente” uso de una palabra.

    Espero que alguien este de acuerdo….

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  26. Parabéns pelo texto Rita! Choca-me as barbaridades que os pais, hoje em dia, ainda transmitem aos filhos. Fiz uma cesariana electiva, num hospital público, por razões de saúde complicadas. A minha médica, desde o início do 3º trimestre da gravidez, explicou-me que eu não poderia ter um parto natural. Mesmo assim, continuei o curso de preparação até ao final com a esperança de ainda vir poder a ter um parto natural. Assim não aconteceu, e ainda bem caso contrário teria colocado a minha vida em risco. Mas só por razões médicas é que faria uma cesariana electiva. Fui muito bem tratada, amamentei o meu filho logo que ele nasceu e nunca me separei dele (só por breves momentos enquanto o limparam). a recuperação da cesariana foi dolorosa (devido a problemas que tinha, e tenho, nos ovários), e só consegui levantar-me da cama dois dias depois, mas nunca deixei de amamentar o bébé. Gostava de ter experimentado um parto natural, mas não foi possível.Mas nem por isso me sinto pior mãe que o resto das mulheres.

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  27. Eu acho que não se pode generalizar nesta questão das cesarianas.
    No meu caso fiz duas cesarianas no hospital publico, no primeiro caso pq tive uma ruptura da bolsa e fiquei 4 dias internada enqto tentavam provocar o parto e acabaram por desistir ao 4º dia. No segundo caso o médico já me conhecia e achou que não valia a pena esperar.Fiquei mto desiludida da 1ª vez e talvez devesse ter esperado até às 42 semanas, mas não achei nenhum drama. Gostava de ter passado por um parto normal, fiz curso de preparação, mas não me acho menos mulher.
    Tb é preciso que as pessoas saibam que se pode fazer uma cesariana e dar de mamar à saida do bloco operatório e o bébé não sair mais do nosso lado.
    Desculpem o tamannho do comentário.

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  28. Eu nem li tudo, que o assunto incomoda-me…

    Talvez quando se processarem cá médicos por cesarianas desnecessárias, a coisa mude de figura e não seja a “protecção” que é hoje.

    Eu ando actualmente a ver como raio vou fazer com que consiga que me concedam (!) uma tentativa de parto normal após duas cesarianas. É que eu contento-me com o deixarem-me tentar e depois logo se vê se é preciso. Que se for, eu não me oponho. Mas depois de duas, o protocolo e não sei que mais… Tenho pesadelos.

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  29. Olá Rita, cheguei a este blog há alguns meses, por sugestão da loja QUER, e fiquei fã!!! (ando a economizar para um quilt!)
    Nunca comentei, mas agora não resisto: tenho 3 filhos, todos nasceram de cesariana (as 2 primeiras de emergência, e a 3ª porque depois de 2, tinha de ser…). Tenho pena que tivesse de ser assim, mas como eu costumo dizer, foram nascimentos em que muitas coisas correram mal, mas acabou tudo bem, já que tenho 3 filhos saudáveis (e lindos!!!), e isso é que importa!
    Mamaram todos imenso, começaram logo a mamar ainda no bloco, acho que ainda me estavam a coser a barriga (isto num hospital público), e só acabaram mais de 1 ano depois (a do meio já tinha mais de 2 anos…), tudo isto com imenso espanto, mas também imenso apoio, da família e amigos…
    Qd o meu filho mais velho (tem agora quase 10 anos) era bebé, fiz várias viagens de comboio Porto-Lisboa com ele; na primeira vez, resolvi oferecer-nos um bilhete de 1ª classe… quando ele quis mamar, ouvi o casal do lado a comentar “Ai que horror, a mamar…”… fiz de conta que não ouvi, mas às vezes arrependo-me de não ter dado uma resposta como eles mereciam!!!

    Outra coisa – eu acho que só conseguimos mesmo mudar alguma coisa quando ensinarmos às crianças que as meninas têm uma vagina, e não um pipi – mas então a senhora da tua história tinha um ataque cardíaco!!!!!

    Parabéns por todo o blog, e sobretudo por este post!

    Raquel

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  30. Pois não poderia estar mais de acordo. Sempre me fez muita confusão os partos marcados. Infelizmente, por razões clínicas a minha filha teve de nascer de cesariana. Desde aí ainda me é mais difícil entender que alguém escolha fazê-lo. Não me esqueço das dores abdominais que tive e da dificuldade que tive em recuperar a possição erecta. Vejo imensas mulheres darem a luz por parto normal e a movimentarem-se perfeitamente nos dias seguintes e sem dores de maior…eu nem banho conseguia dar à bebé, na posição inclinada…
    Acho que quem escolhe fazer uma cesariana não tem noção dos riscos que corre e do que faz falta à criança sentir que vai nascer! Participar do nascimento.

    Aproveito para te deixar também os meus parabéns pelo teu trabalho e dizer que sigo os teus passos por aqui e também no tumblr.

    Parabéns!

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  31. Abri estes comentários umas dez vezes…comento, não comento?
    Não tenho ainda filhos, não comento; quero ter, comento.
    Estou chocada com o post!
    Amamentar é o melhor para o bébe em todos os aspectos. De saúde e de afectos. É porque se põe a maminha ao léu!!?? Nunca irei perceber porque há quem não queira amamentar.
    As cesarianas, e eu nasci de cesariana (contra a vontade da minha mãe que depois teve mais duas filhas de parto normal e confirmou que é muito melhor o parto normal), só em caso de necessidade extrema.
    A nível de afectos e da saúde do bébe um parto normal é a melhor escolha.
    Custa-me falar porque ainda não sou mãe e estou a falar do que não sei por experiência mas do que ouço e do que leio…
    As melhores mães escolhem o melhor para os filhos e não falo de colégios ou de brinquedos ou de deixar fazer tudo o que querem…
    Rita parabéns pelo post, gostei muito!

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  32. Também estou pasmada com o “episodio” das meninas, mas enfim…
    No Reino Unido também há mais mulheres a preferirem ter uma cesariana do que tentar o parto normal, não percebo é porquê se sempre ouvi dizer que o tempo de recuperação +e mais demorado e muitas pessoas esquecem-se que uma cesariana é uma operação.
    Tive o meu filho no hospital de parto normal. No Reino Unido o acompanhamento da grávida é feito pelas parteiras e há um grande encorajamento para um parto activo natural. Apesar de ter pedido pela injeção durante as contrações já era tarde de mais e ainda bem!(na altura das dores podiamos fazer qualquer coisa para tirar as dores) no entanto o que ainda hoje me admira é que ter o filho propriamente dito não doi(muito) o pior é as contrações que antecedem, essas sim… Assim que o bebé nasceu e mesmo durante o nascimento (pois senti tudo) pude apreciar as vantagens de nem a tal injeção ter levado e claro estarei para sempre agradecida pelo optimo acompanhamento que tive!

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  33. só vou acrescentar que no centro de saúde local fui atendida por um enfermeiro que, ao contrário do que a maior parte descreve e após confirmar comigo que amamentava o meu filho, me sugeriu continuar até aos dois anos e me disse para não ceder a pressões da sociedade em geral nem ligar a olhares comprovadores…não sei se vamos lá chegar mas catorze meses e meio já deve ser um bom recorde eheheh

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  34. Rita, excelente texto! E que episódio incrível! Apesar das muitas experiências que vamos tendo, e da realidade actual que conhecemos… ainda me consigo espantar com a tamanha aberração de um comportamento assim! Imagino que foi preciso muita calma e claro o facto de teres a tua filhota à mama elevando consideravelmente os níveis de oxitocina ;) para suportares de forma tão harmoniosa um comportamento tão desrespeitador.
    Não queres publicar este texto no blog Doulas de Portugal? Merece ter a maior divulgação possível!
    Ah… e passa no meu blog quando puderes, que tens lá uma pequena lembrança!
    Beijos!

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  35. Parabéns pelo texto. Surpreendemo-nos sempre com episódios destes. Também tive alguns com a amamentação dos meus filhos; o que eu mais gostava era amamentar nas esplanadas ou nos jardins e de vez em quando ouvia coisas desagradáveis. O teu texto devia ser publicado para chegar a mães e pais que não chegam aos teus calcanhares ;-)
    Felicidades

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  36. Ouve-se com cada uma…Isto para mim é um sintoma claro do “des”progresso. Pensamos que estamos a evoluir porque nos afastamos de costumes que foram propagados ao longos de centenas de anos e funcionaram porque são parte intrínseca do que nós somos. Afastámo-nos deles (dos costumes, digo) e agora achamos que evoluímos imenso!
    Eu acho que cada um é livre de escolher o que bem deseja e acha que é melhor, mas as escolhas devem ser educadas. É preciso saber o que se está a escolher, em detrimento do
    quê, as alternativas.
    É preciso (re)educar, sensibilizar, emancipar e “incomodar”. Digo “incomodar”, porque nós, enquanto sociedades gostamos pouco de incomodar e de ser incomodados. Há muitos posts do seu blog que incomodam muita gente e por isso são uma lufada de ar fresco. Obrigada por incomodar ;-)
    Elizabete

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  37. Querida Rita,

    a minha cesariana não foi escolha. Apesar de muito agradecida à ciência que me poupou a saúde naquela altura, a falta de humanidade em todo aquele processo marcou o parto e o primeiro contacto mãe-filho. Não assisti ao parto, levei anestesia geral, quando acordei o meu filho não estava lá e quando pedi para o ver nem sequer lhe peguei. Olhei para ele, vestido, ao colo de uma outra mulher e aquela distância ainda hoje me custa. Logo a a seguir ele foi levado pelo INEM para outro hospital, por falta de especialista àquela hora, ele passou pelo pai sem este saber que era o filho que ia sair do hospital, e só venho a ver o meu filho na manhã seguinte. Toda esta distância, esta grande lacuna de contacto físico e emocional fez-me muito mal e acredito que também tenha sido muito difícil para o bebé.
    Mesmo uma cesariana menos complicada que a minha não é mais comfortável para a mulher, de maneira alguma! O pós-parto de uma cesariana é muito mais doloroso do que de um parto normal.
    E sim, essa vergonha e repulsa pelo corpo humano já me tira do sério, as mulheres estão cada vez menos mulheres ao quererem fugir à sua natureza! Continuam a querer agradar aos homens acima de tudo, parece que andam a vender a alma!!

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  38. Boa noite.
    De facto não sou uma leitora assídua do seu blog, mas de vez em quando venho visitá-la, e a leitura do que escreve agrada-me bastante. Mas neste tema não posso deixar de estar mais em desacordo.
    Passei por quatro gravidezes, e dois partos de termo, naturais. E o primeiro destes durou 50 horas!
    Cinquenta horas em sofrimento, sem saber se ia ficar bem, sem saber se a minha filha estava bem, sem saber o que fazer.
    Depois de me ter preparado para um parto natural, não me passava pela cabeça que assim não acontecesse. A não ser em caso absolutamete excepcional, o qual veio a acontecer mesmo.
    E, apesar de eu, o meu marido, os meus pais, ao verem como as coisas estavam a correr mal, a bebé não nascia, eu estava quase inanimada, termos suplicado ao pessoal médico do hospital onde ocorreu o parto, para me ser feita uma cesariana, ou me transferirem para outro hospital, pois o parto não estava a correr bem, tal não aconteceu. E a bebé só nasceu ao fim de 50 horas, teve de ser imediatamente aquecida e por pouco, ou por pura sorte, não morreu ou teve qualquer tipo de sequelas.
    Ao contrário de mim, que, ao fim de 10 dias tive de ser operada, pois tinha uma veia seccionada, ao fim de 21 dias tive uma trombose, provocada pelo esforço, durante 2 meses não me sentei (tomava as refeições de pé), só conduzi ao fim de 3,5 meses.
    No princípio, era a minha Mãe que me lavava e vestia.
    E tratar da bebé e de mim era um suplício, e não aproveitei de todo os primeiros meses da vida dela.
    O parto da minha filha mais nova foi igualmente natural e correu impecavelmente bem, e tudo foi completamente diferente, para melhor.
    E que pena tenho não ter usufruído da mais velha como usufrui da mais nova. E isto porque não fiz uma cesariana.
    Cada caso é um caso, e parir é natural em todas as fêmeas, mas há situações extremas em que as intervenções cirúrgicas são, ou deveriam ser, a norma.
    Não troco, por nada o parto da minha filha mais nova.
    Mas acho que faria qualquer coisa para não ter de passar aquilo que passei com a minha filha mais velha.
    Até porque, ainda hoje, 4,5 anos passados, todos os dias, sofro as consequências físicas de um parto natural mal conduzido. As quais nunca mais vão passar. E nenhuma mulher deveria ser submetida a isso.

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  39. A história qeu contas é de facto inaceditável. Que tenha feitto cesarianas é lá com ela, mas que induza em erro a sabedoria das filhas é grave.
    Fiz cesariana contrariadíiiiiissssssima e acho que chorei complusivamente, como raras vezes, quando soube que assim teria que ser. No entanto não fiquei eternidades sem o bébé. Acho que ao fim de uma hora já a tinha a mamar! Ao menos isso e desde aí ali ficou comigo.
    Quando falo com alguém que diz que quer logo cesariana fico incrédula e por mais que expliquem não consigo outra cara se não de espanto. A sensação que tive foi de que de um estado de saúde perfeito, fiquei doente amarrada a uma cama quase sem me mexer. Horrível e sem recomendação.
    Não gostei de ler que poderá haver complicações em engravidar a seguir a cesarianas… mas o médico já me disse que “isto” nem pareceia que já tinha tido bébé e que podia ter meia dúzia! Eu acho que ele é um entusiasta e eu não fico seduzida com a conversa. Meia dúzia é muito ovo! :)

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  40. Olá Rita,
    Adorei o post, já vi que para além do talento com o tecidos, tem talento para a “caneta”.
    Ocorre-me dizer: evolução da espécie humana…onde???? não tou a ver :S

    Um beijinho!!!!

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  41. Sou mãe de 2 e ambos nasceram de cesariana, não por opção mas porque teve de ser.
    Não tenho nenhum sentimento de culpa em relação a isso, mas tenho a perfeita noção que o nascimento dos meus filhos tem défice de emoção, e que o mais difícil para mim foi ficar durante tanto tempo (algumas horas = uma eternidade) longe do bebe e não o poder amamentar imediatamente.
    Quanto à amamentação aconteceu-me, por duas vezes algo que me deixou tão boquiaberta quanto esta história. Tive que ir ao medico de recurso tinha a minha filha 6 meses e tal (agora tem quase 10m) e a MÉDICA, a propósito da toma de um medicamento que estava para prescrever e que não era compatível com a amamentação disse-me que a partir dos 6 meses a amamentação não trazia qualquer beneficio ao bebe. Fugi de lá como o diabo da cruz!
    Mais recentemente, à coisa de 1 mês, fui a um médico especialista e mais uma vez a cena repetiu-se. Quando lhe disse que estava a amamentar um bebe com 9 meses disse para mim e para o medico auxiliar: mas agora dá-se mama até que idade?! Até se poder, respondi! O outro fez aquele ar que não quer dizer nada. Mas o que é que se passa com os médicos? Ou será que fui eu que tive azar com os cromos que me saíram???
    Mais triste que estes episódios foi ter deixado de amamentar a minha filha à dois dias por razoes de saúde.

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    1. É efectivamente verdade o que ambos os médicos lhe disseram. Tão verdade quanto aquilo que estudos sobre a matéria evidenciaram. Pode também ver o que a OMS recomenda.

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      1. não entendi a colocação do kiks…
        a OMS recomenda amamentar por pelo menos 2 anos ou mais, sendo os 6 primeiros meses exclusivamente.
        sei disso pq participi, aqui no brasil, de grupos que apoiam a amamentação (no âmbito público e no privado).
        portanto, xana, creio mesmo q vc fez o certo: fuja de todo e qualquer médico que se mostrar cético ou desconhecedor sobre os benefícios e a necessidade de se amamentar um bebê por pelo menos 2 anos!

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  42. Parabéns pelo texto! 5 estrelas!
    Eu sou mais uma que sofreu uma cesariana que não queria, mas teve de ser por o bebé estar completamente atravessado. As coisas não correram bem e por causa da cesariana estou a ter imensas dificuldades em conseguir engravidar do segundo filho!
    É inacreditável como existe tanta gente que a cesariana não tem problemas nenhuns!

    Beijinhos

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  43. Não acredito. Juro que não acredito. Essa história é surreal. Cá em casa, assim que soubémos que estávamos à espera do Outro Biscoito, explicámos sem fantasias os factos da vida ao Biscoito. Ele até quis mamar ao mesmo tempo que o Outro Biscoito, ao que eu acedi para não fazer ondas, até que ele prórpio disse que já era “menino grande” e a maminha era só para o mano.
    Eu acho que fiz bem, os pais dessas meninas não vivem no mundo real de certeza.
    Ainda estou parva.

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  44. ola rita!
    sigo o teu blog, apesar de não ter por hábito comentar. Noentanto, hoje não podia deixar de o fazer. Sei a que te referes, tenho lido “por aí” coisas que me deixam incrédula sobre este assunto.
    Tive o meu filho de cesariana de urgência por sofrimento fetal. A minha filha nasceu há 19 meses de parto “normal”,às 35 semanas de gestação, com forcéps. Apesar de todas as complicações que se seguiram (hemorragia inter, ida ao bloco, anestesia geral, aberta fechada, aberta, fechada, transfusoes de sangue , etc etc) não trocaria o monento emocionante de ver a minha filha nascer, de a ter no meu peito assim que nasceu, de ter o pai dela a chorar de emoção comigo. Momentos inesqueciveis, que nem todo o horror que se seguiu me fazem deixar de recordar como o melhor da minha vida. E sim amamentei os dois em publico quando eu e eles quisemos, e sim dormem na minha cama, e sim sou considerada Freak, mas paciência, apenas sigo a natureza o melhor que posso.

    Desculpa os erros mas a minha filha esta a dormis ao meu colo :)

    Bárbara

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  45. Go Rita! Tendo passado por um parto normal e uma cesariana (por razões médicas e nada desejada), sei bem o que a mãe e o bebé perdem com esta última.

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  46. Olá
    “Conheci-te” hoje e gostei muito deste espaço.
    Parabéns pelos trabalhos lindos!
    Quanto a este post, não podia concordar mais. Tenho uma filha com 3 anos. Durante a gravidez deixei grande parte das minhas amigas e conhecidas “escandalizadas” por fazer questão de ter a Inês de parto normal. Tive-a no privado e todas me diziam que ia ser cesariana mas o médico estava consciente de minha vontade e depois de 8 horas de trabalho de parto (com dores) e um período de expulsão de 4 minutos, nasceu a minha princesa. Fui coitadinha para muitos, imagina! Para mim, coitada, é de quem tem medo da coisa mais natural do mundo, ter um filho.
    Desde sempre, ou desde que a curiosidade a fez fazer perguntas, que a minha filha sabe que cresceu na barriga da mãe e nasceu pelo pipi :)
    Espero que não te importes que volte.
    Beijinhos
    Marta

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  47. Rita, só posso dizer que adorei ler o que escreveste. Ainda não sou mãe, portanto não posso falar com grande propriedade sobre o assunto, mas sou mulher, vivo neste país e estou atenta ao que se passa. O que relatas, do principio ao fim, é grave e dá muito que pensar

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  48. Estou pasmada! O que pensarão essas crianças da mãe, dos pais, quando se aperceberam que as fizeram acreditar numa mentira?
    Tive o meu filho, há seis meses, de parto normal, e, apesar de ter o cordão todo enrolado no pescoço, correu tudo bem e adorei. Tinha muito receio de fazer cesariana, pura e simplesmente porque não acho normal. Se a fizesse seria mesmo porque não havia outra opção. Na maternidade queriam fazer indução do parto e eu não deixei e tudo acabou por correr bem e naturalmente, mesmo havendo alguma coisa estranha (provavelmente a tal questão do cordão). Se calhar tive sorte, se calhar foi o que teve de ser. Mas gostei muito da experiência e quero repetir (quando o meu filhote crescer mais uns pouco, claro!).
    Beijinhos Rita!

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  49. Eu tive uma cesariana de urgência e depois de ter passado por isso não tenho bem a certeza de que seja mais confortável… espero, se tiver outros filhos, de os poder ter com parto natural, e os vou amamentar seja onde for; e já estou farta de pessoas a estranhar que ainda esteja a dar mama à minha filha (que tem 7 meses e meio) – eu costumo responder que só vou deixar quando ela não quiser mais.
    Quanto às mecânicas do nascimento, à pequenina vamos contando que os bebés costumam sair pela porta, mas alguns têm de o fazer por uma janela especial que é aberta na barriga da mãe, e foi o que aconteceu com ela.

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  50. A minha irmã amamentava o meu sobrinho quase com 2 anos quando a sogra lhe disse que o que ela fazia era uma completa aberração.
    Há alguma coisa mais natural que amamentar o nosso filho?

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  51. ai que a minha cezariana não me foi nada fácil :(
    e na próxima nem quero saber do que mais contas para não ficar a pensar nisso :(
    custa custa ver que se brinca com a inocência das crianças…

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  52. clap clap clap

    realmente, a biologia choca muito boa gente…

    já quando amamentava a minha filha em lugares públicos, a pressão de certas pessoas da família era terrível. enfim. vale-me o meu mau feitio.

    era o que me faltava ter de ir amamentar para casa a cada duas horas, ou fechar-me numa qualquer casa de banho… há lá coisa mais natural (e mais higiénico, já agora) que um bebé a mamar?

    somos animais, não robots, o que é que querem??

    a minha miúda (quase 3) está sempre a referir que quando for “texida” vai ter leitinho nas maminhas :) e um bebé na “barrida”, claro!

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  53. Ai.Meu.Deus.
    Uma mulher esconder de onde nascem as crianças é o cúmulo da masculinização neste mundo.
    E mais não desenvolvo para não ferir susceptibilidades (não as tuas, claro).

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  54. Alguém ficou muito escandalizado porque o meu filho que na altura tinha 3 anos, a explicar como nascem os bebés, se agachou, e fez o gesto de puxar um bebé entre as pernas dele… Ele ficou a olhar para mim como quem diz “mas o que fiz eu de mal?”

    Enfim, se nos nossos tempos falar de bebés sairem de pipis ainda é tabu… realmente não devíamos fazer sexo. É horrivel e trocam-se “coisas” :D

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  55. Quem está incrédula com a história das meninas de oito anos sou eu…gostei imenso do texto Rita. Concordo 100% contigo e obrigada por escreveres sobre o tema da maternidade, os valores e ideias que povoam as mentes em pleno século XXI.
    O que vale é que nos filmes ainda mostram as mães a ter os filhos pela via normal ! E essas meninas deixarão de dar somente ouvidos aos mais velhos…

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