fashion revolution week II

25/100 #100diasnoblogue

todas as transformações começam com mudanças de hábitos. se mudamos de emprego, mudamos a forma de fazer as coisas, ou aprendemos a fazer coisas diferentes; se queremos fazer dieta, mudamos a maneira como comemos; se arranjamos uma casa nova, mudamos os nossos hábitos e o sítio onde tínhamos os móveis, por isso, porque não mudar a maneira de comprarmos roupa?…

não é preciso ter vergonha de comprar roupa nova sempre que nos apetece e a carteira permite, não é preciso começar a vestirmo-nos sempre em lojas de roupa em segunda mão ou gastar fortunas numa única peça, nem tão pouco é necessário deixar de gostar de vestir coisas bonitas e de nos arranjarmos. ter consciência daquilo que compramos não é, de todo, incompatível com ser fashion victim, ou qualquer coisa do género.

eu nunca me considerei uma fashion victim, nem nada que o valha, mas quem me conhece sabe que sou vaidosa, gosto de roupa e gosto de andar bonita.
não sou propriamente abonada e o meu dinheiro é como o da maioria dos portugueses: chega para as despesas e não sobra nada.
comecei a trabalhar muito cedo e cedo percebi o real valor do dinheiro, por isso tento não fazer compras de impulso e tenho gosto em comprar coisas boas, que me duram, e das quais gosto verdadeiramente, independentemente de modas e afins.

fui mal habituada desde miúda. quer dizer, isso era o que me diziam, mas hoje percebo que fui muito bem habituada: a minha bisavó fazia-me quase todas as roupas. tinha blusas, vestidos, saias, calções, que mais ninguém tinha e orgulhava-me disso.
ía com ela escolher tecidos e sentia que a as minhas roupas eram verdadeiramente especiais.
foi nessa altura que me tornei uma pessoa “vaidosa” e que na adolescência dizia à boca cheia que queria ser estilista (como se chamava antigamente aos designers de moda) para fazer sempre as minhas roupas.
a pouca roupa que comprava (calças de ganga, t-shirts, roupa interior) era escolhida a dedo, e nem sempre era a mais barata. resultado: ainda hoje tenho as primeiras calças de ganga que comprei em adolescente, e só não as visto porque (infelizmente) não caibo nelas, e ainda tenho roupa de adolescente que está absolutamente impecável e serve à minha filha. coisas que sempre achei normais numa peça de roupa e que hoje são praticamente impossíveis de encontrar.

a primeira vez que entrei numa Zara era já quase adulta, não por nenhum preconceito, mas porque, vivendo na província, não tinha propriamente nenhuma ao virar da esquina. e lembro-me bem da surpresa que foi olhar para as etiquetas dos preços e perceber que podia comprar 3 ou 4 peças pelo mesmo dinheiro que comprava 1 noutra loja.

não fiz blackout a essa nem a nenhuma outra loja, assumo que faço compras nelas hoje em dia, mas nunca me rendi a essa de comprar mais coisas, só porque sim, e tento sempre ser o mais conscenciosa possível naquilo que compro, pondo sempre a qualidade em primeiro lugar.

deixo-vos algumas dicas, baseadas na minha experiência pessoal, e começo pela minha regra numero 1, que pratico desde sempre:

–  por cada peça de roupa que compro tenho de tirar outra do armário.
é uma excelente maneira de não acumular coisas, péssimo hábito a todos os níveis, e a maneira perfeita de perceber se precisamos mesmo daquela peça.
normalmente chamo as pessoas amigas, a quem vou dando as coisas que já não uso, ou que tiro do armário, mas ultimamente quase tudo tem ficado para a minha filha, que está quase do meu tamanho. muitas coisas dou a instituições, e tenho a certeza que se vivesse em Lisboa, ou tivesse aqui na cidade uma boa loja de roupa em segunda mão, que ainda faria algum dinheiro à custa desse hábito.
resultado: o meu armário mantém-se do mesmo tamanho há bastante tempo, sei exatamente aquilo que tenho e entro um bocado em pânico cada vez que vou a casa de alguém que tem armários e armários de coisas que não usam.

– tento só comprar coisas em saldo, a menos que seja absolutamente necessário.
é a melhor maneira de comprar coisas boas (leia-se duráveis, bem feitas e cujas empresas têm algum tipo de consciência social e ambiental) para quem, como eu, não tem muito dinheiro disponível. tenho feito excelentes compras assim.

os 3 exemplos que partilhei para a campanha no instagram são simbólicos, para mim, e ilustram bem a minha maneira de lidar com as roupas:

conheci a marca Antik Batik pela primeira vez num catálogo da La Redoute, há mais de 20 anos atrás. foi amor à primeira vista, mas só consegui comprar a primeira peça muito tempo depois, precisamente à custa dos saldos e promoções: foi uma blusa de algodão, com a gola feita de sari indiano, que tem 20 anos e ainda hoje está i-m-p-e-c-á-v-e-l.
entretanto, deixaram de constar do catálogo da La Redoute, e passei a comprar no outlet do site da marca. o único senão, é que as peças são realmente de tiragem limitada, por isso quando chegam ao outlet já não há todos os tamanhos e as peças mais bonitas já estão todas escolhidas…
esta blusa, da foto, foi comprada há 5 anos, uso-a quase todas as semanas nesta altura de primavera, está absolutamente impecácel como se a tivesse comprado ontem.

esta é a minha prova em como também vou a lojas baratas e polémicas.
a H&M tem tido algumas campanhas públicas de sensibilização para o desperdício do mundo da moda, inclusive promoveu uma recolha de roupa usada, que era trocada por vales de compras, mas é sem dúvida um dos gigantes do fast-fashion, e que tem contribuído necessariamente para o estado a que chegámos.

a blusa da foto foi uma compra de impulso, e digo-o para vos mostrar que sou humana, também tenho atitudes menos recomendáveis, mas que isso não me impede de ter consciência dos meus atos.
entrei numa H&M na altura para comprar bodies interiores para a minha filha que era bebé e passei com os olhos por esta camisa. adorei as cores e o tecido pareceu-me bastante bom. a verdade é que era mesmo bom. custava um bocadinho mais do que a média de preços da H&M, mas valeu cada cêntimo. é das camisas que mais uso: de verão e de inverno. já foi lavada centenas de vezes e tem exatamente a mesma cor que tinha no dia em que a comprei e o tecido está impecável.

é, para mim, a prova que se podem comprar coisas boas nas lojas do costume. basta ter algum critério na altura de escolher, e perceber os materias com que são feitos as roupas.

este casaco é mais uma peça que me acompanha desde sempre. comprei-o quando estava grávida do meu filho do meio, que faz 14 anos em agosto.
estávamos no início do verão, mas as noites estavam frias. eu estava gigante (foi a gravidez em que mais engordei) e não cabia em nenhum casaco.
entrei numa loja qualquer multimarcas aqui da terra, que estava em saldos, e encontrei este casaco, que me servia na perfeição, por qualquer coisa como 20€.
é um casaco estilo militar, de sarja verde bastante resistente e está cheio de pormenores que me deixaram rendida desde o primeiro minuto: muitos bolso, bem feitos e com bons botões, e vários bordados (que agora estão tão na moda, mas na altura não se viam em lado nenhum) nas costas e por todo o casaco. a execução é exímia, como podem ver pela foto do avesso, com as costuras todas reforçadas. os bordados, estão intactos desde o primeiro dia em que o vesti.
este casaco tornou-se a minha segunda pele, tanto de verão como de inverno. uso-o e abuso dele. diz quem me vê que é a minha cara. conhecemo-nos há 14 anos, e sei que temos uma relação para toda a vida ;)

Thunderclap

e vocês?…
já fizeram o vosso contributo para a campanha?…

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