o meu exército

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a pergunta que mais vezes me fazem (logo a seguir a “onde é que compra os tecidos que usa?”) é que máquina de costura usa e recomenda?.

sou péssima a responder a ambas… nos tecidos, recomendo sempre as duas lojas portuguesas das quais sou cliente: a Retrosaria e a Ponta da Agulha, e digo que por esse mundo fora haverá muitas e muitas lojas, cabe a cada um escolher qual prefere e qual tem uma seleção de tecidos mais ao seu gosto. o google ajuda bem mais do que eu ;)

quanto às máquinas de costura, respondo sempre que não tenho como recomendar, porque não conheço o que existe no mercado, e depende muito do uso que irão ter. digo sempre que trabalho com máquinas de costura antigas, que tenho desde sempre, e prometo a mim mesma que um dia faria um post acerca do assunto.

esse dia chegou.

a minha relação com a costura começou desde pequena, como já escrevi em vários posts, entrevistas e biografias. a minha bisavó era costureira e era com ela que passava 2 meses das férias de verão, no alentejo, numa casa cheia de costureiras, máquinas de costuras, cortes de tecido e provas de vestidos. foi com ela que aprendi tudo o que sei, o resto, veio com muita experiência e determinação. nunca pensei segui-lhe as pisadas, e nessa altura nunca imaginei que a minha vida fosse indissociável de uma máquina de costura.

quanto às máquinas, essa é ainda outra história que nunca contei… o meu avô materno trabalhou toda a vida na Singer Portugal. tinha responsabilidades na empresa, nos tempos áureos das máquinas de costura, em que cada lar português tinha uma em casa. nasci já depois desses tempos, mas o pós 25 de abril ainda trouxe um boom às máquinas de costura, antes de os “tempos modernos” da democracia empurrarem (e bem) as mulheres para fora de casa, rumo ao mercado de trabalho.

costura - RITACOR
almoço Singer – o meu avô é o segundo a contar da direita. (anos 60)
costura - RITACOR
Entrega de diplomas a costureiras. O meu avô é o homem ao centro, por baixo do poster da Singer. (anos 60)

as máquinas de costura foram perdendo progressivamente a importância de outros tempos, embora permanecessem em tantos lares. (quem ainda hoje não tem uma mãe ou tia que têm uma máquina de costura em casa, ainda que arrumada no fundo do armário?…)
mas na nossa família continuaram a ser uma constante. o meu avô já está reformado há mais de 20 anos, a Singer já não é o que era, mas a minha relação emocional com a marca que nos acompanhou ao longo da vida fica para sempre.

a minha primeira máquina de costura foi esta:

costura - RITACOR

já tinha sido da minha mãe, e foi com ela que dei os primeiros pontos, à manivela.

aqui, está o meu filho mais novo a brincar com a mesma máquina, há 2 anos:

Xavier e a mini-máquina de costura 😊❤️ #Hipstamatic #Victoria #StandUp

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costura - RITACOR
A minha mãe, com uma das suas bonecas impecavelmente vestidas com fatos feitos pelas costureiras, numa loja Singer.
costura - RITACOR
Entrega de diplomas de aulas de costura para crianças e entrega de presentes numa loja Singer. o meu avô é o Sr. sorridente no centro da fotografia. (anos 60)

depois dessa máquina, a próxima que me veio parar às mãos foi um ícone da marca: uma Starlet:

starlet
Singer Starlet – anúncio de 1974

era da minha tia, irmã mais nova da minha mãe, e foi com ela que aprendi a coser, a sério, à máquina.
ainda hoje a uso: é a minha segunda máquina. é com ela que faço todo o tipo de costura simples, a direito e todos os acabamentos nas almofadas, por exemplo.

costura - RITACOR

além de ser uma máquina fantástica (tem um ponto muito bonito, é super fácil de utilizar, tem uma caixa de transporte/para guardar com um design invejável) é lindíssima!

mais tarde, quando já era mais crescida, herdei esta máquina da minha mãe: uma Singer 746:

singer 746

já era uma máquina acima da média, com duas velocidades de costura e a inovação de fazer uma miríade de pontos sem ser necessário introduzir discos na máquina, basta rodar uma patilha e fazer a seleção, bem como a introdução do ponto flexível.

aqui, nesta fotografia, está o meu avô a fazer uma apresentação de “powerpoint” em 1973 e se repararem bem na parte superior da fotografia, é esta máquina – a 746 – que está a ser apresentada na empresa:
costura - RITACOR

é uma máquina excelente, muito robusta e pesada (é toda em metal, não tem nada em plástico) e até há bem pouco tempo, era a máquina que usava para acolchoar todas as minhas mantas. neste momento, uso-a para coser tudo o que são gangas, precisamente por causa da sua robustez e das duas velocidades de costura que permite fazer.

costura - RITACOR

durante muito tempo, o meu “exército” eram estas duas máquinas. depois, há cerca de 10 anos, apareceu no Lidl uma máquina Singer com um preço bastante simpático e resolvi comprá-la para usar nos workshops. as minhas meninas eram demasiado preciosas para andarem de um lado para o outro, sujeitas a desgaste desnecessário. e foi assim que entrou cá em casa a primeira máquina de costura da era moderna: uma Singer Serenade:

costura - RITACOR

é uma máquina simples e funcional. se já fizeram um workshop comigo, é bastante provável que a tenham usado: tem sido usada inúmeras vezes, por inúmeras pessoas. foi uma boa compra e é usada unicamente para as aulas.

entretanto, há 2 anos e meio, por mero acaso porque não andava à procura nem contava comprar nenhuma máquina, encontrei à venda uma Singer One, nova,  a um preço absolutamente inesperado.

SingerOne branco.jpg
já tinha namorado bastante a Singer 160, lançada numa edição limitada em 2012 para assinalar os 160 anos da marca, que revolucionava novamente o design das máquinas de costura, imitando as primeiras Singer de sempre, com toda a fiabilidade e características de uma máquina moderna:

160-oldnewSales Sheet - Front-back_905

as reviews da máquina foram boas, e quem conseguiu comprar uma não parece nada arrependido, infelizmente a edição foi mesmo muito limitada e nunca cheguei a ver nenhuma no mercado europeu.

mas, voltando ao início deste parágrafo, encontrei, por acaso, uma máquina de costura muito parecida com esta, mas em branco (que pena, a preta era perfeita!), que foi feita para entrar no mercado de forma massiva, ao contrário da 160: chama-se Singer One.
fiz várias pesquisas, li muitas reviews e vi bastantes videos sobre ela, antes de tomar a minha decisão.
à primeira vista parecem exatamente iguais, e dizem os entendidos que a mecânica é exatamente a mesa, e que só muda a cor e os desenhos:

IMG_2228

e foi esta a minha ultima aquisição!
o que é que posso dizer desta máquina?… que gosto muito dela e estou bastante satisfeita com a compra que fiz. é a primeira máquina eletrónica que tenho, pelo que não tenho termo de comparação.
a máquina é de plástico, o que não gosto nada, mas hoje em dia a grande maioria delas são assim.
é super fácil de utilizar, seja a enfiar a linha, seja a fazer canelas, ou a selecionar pontos, é absolutamente magnífica para acolchoar – desde que a tenho, todas as minhas mantas são acolchoadas aqui.

o design é realmente muito bonito, e acreditem que aqueles centímetros extra na largura do braço e na área de trabalho fazem toda a diferença em trabalhos grandes, como os que eu faço. trazia com ela uma grande variedade de acessórios, entre os quais um walking foot belíssimo. em 2 anos e meio, acabei de a trazer pela primeira vez do mecânico, onde precisou de ir para afinar, o que não é nada mau tendo em conta que esta máquina cose TODOS os dias.

e pronto, assim chego ao fim deste testemunho. não tenho nada contra as outras marcas de máquinas de costura, antes pelo contrário. e bem sei que a Singer já não é o que era, e a assistência técnica deixa muito a desejar. mas para mim, é uma ligação emocional, afetiva e simbólica. cresci rodeada de Singers, e sinto-me bem a trabalhar rodeada de Singers :)

para terminar deixo-vos com mais 3 relíquias do meu espólio. não estão a trabalhar, mas estão funcionais.

costura - RITACORcostura - RITACORcostura - RITACOR

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