fashion revolution week 2018

começou ontem  mais uma semana da Fashion Revolution.
assinalam-se hoje 5 anos desde o fatídico dia em que colapsou o complexo Rana Plaza, no Bangladesh, onde funcionavam fábricas de 5 marcas internacionais de roupa, e que provocou a morte de 1134 trabalhadores e deixou mais de 2500 feridos.

rana plaza

no dia anterior, 23 de abril de 2013, os trabalhadores tinham apresentado queixas relativamente à segurança do edifício e apontado graves falhas estruturais. na manhã de dia 24 foram forçados a entrar no complexo para o seu trabalho habitual e foi então que se deu o fatídico acidente. há vários relatos dos trabalhadores sobreviventes e das famílias daqueles que morreram.

5 anos depois o que é que mudou na indústria da moda, de forma a garantir que nada disto voltará a acontecer?…

à primeira vista, infelizmente, não mudou muito: a indústria da moda, além de assentar em modelos de exploração e desrespeito pelos seus trabalhadores, continua a ser das mais poluentes e não mostra grande sinais de abrandar nem de mudar radicalmente de formas de produção. mas, felizmente, há algumas coisas positivas que saíram do desastre de Rana Plaza e é sobre elas que vos quero falar hoje, no arranque desta semana.

grande parte das marcas da indústria têxtil têm fábricas no Bangladesh. até ao fatítido desastre em 2013, essas fábricas eram autênticas armadilhas, sem qualquer cuidado com o bem-estar dos trabalhadores, nem qualquer respeito pela (pouca) legislação existente. desde então, foi criado o “Bangladesh Safety Accord” que obriga as empresas subscritoras a terem práticas e métodos de trabalho que respeitem as leis de segurança relativas aos trabalhadores. há também vários relatórios independentes disponíveis para consultar o que tem sido feito nestes 5 anos.

muitas marcas já subscreveram o acordo, e comprometem-se a mantê-lo, outras subscreveram de início mas não garantem que irão manter as condições, e outras pura e simplesmente não assinaram.

podem ver aqui uma lista das várias marcas e da posição que tomaram, e creio que esta é já uma primeira triagem para percebermos quais estão a fazer parte da mudança e da transformação de mentalidades, e as que continuam a colocar o lucro e a produtividade à frente do bem-estar e segurança dos trabalhares.

muitas marcas estão também a trabalhar de forma mais transparente, e disponibilizam dados sobre as suas cadeias de produção.

mas a questão não se fica por aqui. as condições de segurança são importantíssimas, mas não são as únicas a serem ignoradas pelas empresas da indústria têxtil.
os salários continuam a ser baixíssimos – pensem sempre duas vezes antes de comprar qualquer pechincha a um preço ridículo: quem vai pagar o preço real da etiqueta é o trabalhador que fez a peça de roupa e que não irá ganhar um salário suficiente para viver com dignidade.

além do mais, a maioria dos trabalhadores da indústria têxtil são mulheres. muitas sofrem assédio moral e sexual no trabalho, muitas mais são exploradas com horários incomportáveis com uma vida familiar, e muitas outras ganham bastante menos do que os homens em funções semelhantes.

este é o verdadeiro preço das peças baratas que compramos nos grandes impérios da fast-fashion, e o verdadeiro custo nunca aparece na etiqueta estilizada e imaculada.

é preciso chamar a atenção para este flagelo em todas as suas formas.
enquanto consumidores, somos nós que temos o poder de decidir o que compramos e a quem compramos. basta termos um bocadinho mais de espírito crítico e fazermos as perguntas certas.

e uma das perguntas que começo por fazer, novamente, este ano é:

who made my clothes?

estou mesmo interessada em saber!
quero saber quem fez as minhas roupas, em que condições e com que salários como retribuição.

e se todos nós exigirmos uma resposta clara e objetiva, as marcas não terão outro remédio senão responder.

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