retratos da vida privada

Há muito tempo que não fazia um auto-retrato, e confesso que tinha saudades…
Não se trata de qualquer espécie de narcisismo, até porque apesar de me considerar vaidosa (o que é isso de ser vaidosa?…), nunca me achei bonita nem fotogénica.
Acho que há mesmo qualquer coisa mágica nos espelhos, que nos dão uma imagem falsa de nós (leia-se “ao contrário”…) e onde nos podemos ver lindos ou miseráveis.
Como só tenho um espelho em casa, quando vou a casa da minha avó gosto muito de fazer uma série de fotografias: a casa é linda, grande, ampla e luminosa, com espelhos por todo o lado, mesmo a pedir para serem olhados.
(sim, acho que secretamente são os espelhos que querem ser olhados e adorados, e não estão nada interessados em que nos vejamos a nós próprios – para isso não devia ser preciso espelho.)
Esta casa é tão especial para mim, quanto são todas as casas dos avós. Cresci nela, e lá vivi até aos 6 aos. Hoje não tenho a menor dúvida que aquilo que sou está intimamente ligado àquela casa, àquela biblioteca e àquele piano. Quando era pequena, gostava de ficar horas a fio naquele quarto, a ver fotografias antigas das viagens dos meus avós e a ver todos os livros que por lá havia, que na altura eram mais do que os que havia na sala de leitura da Gulbenkian aqui na terra, onde também passava tardes inteiras.
Aprendi, descobri, sonhei e estudei muitas coisas através dos livros que tive oportunidade de saborear quando era pequena. Hoje continuo apaixonada por livros e leitura, apesar de não ler tanto quanto há uns tempos atrás…
Se na altura houvesse Internet e jogos de vídeo certamente não teria passado tanto tempo naquela sala. Será que hoje seria uma pessoa diferente? Sem dúvida…

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4 thoughts on “retratos da vida privada

  1. Ainda não tive coragem de me estrear nos auto-retratos :)

    A sala parece muito acolhedora, como o são para mim todas as salas repletas de livros e sofás confortáveis, que convidam a sentar.

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  2. Eu adorava poder revisitar a casa da minha avó. Um dos nossos grandes sonhos é ainda poder ir morar para lá, comprando-a aos actuais donos… :) Não é por mais nada, senão por ter sido palco de inúmeras aventuras de infância onde o piano e os livros também fizeram parte sem dúvida. E sim, devo muito do que sou àquela casa e ao que aprendi em todos os sentidos. Estudei, brinquei, criei… e tenho muitas saudades!

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